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Asteroide que destruiu os dinossauros também reflorestou a Terra

Evento que causou a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos representou uma renovação das espécies vegetais sobre o planeta

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postado em 01/10/2014 09:17 / atualizado em 01/10/2014 09:12

Isabela de Oliveira

BENJAMIN BLONDER/DIVULGAÇÃO

A palavra extinção costuma estar associada à ideia de aniquilação completa. É o que vem à mente da maioria das pessoas quando se pensa no evento que varreu os dinossauros da Terra, há aproximadamente 66 milhões de anos, entre os períodos Cretáceo e Paleogeno. De fato, a queda do Chicxulub, um asteroide colossal que atingiu a Península de Iucatã, no México, representou o fim de inúmeras espécies animais e vegetais. No entanto, o impacto permitiu o desenvolvimento de várias outras, representando uma verdadeira renovação florestal, como mostra um estudo coordenado pela Universidade do Arizona (Estados Unidos) e publicado na revista especializada Plos Biology.


A pesquisa aponta que as plantas com flores constituíam a maior parcela da vegetação extinta. Contudo, as decíduas — que perdem as folhas no inverno e no outono — resistiram à pancada do Chicxulub, que parece ter desencadeado um processo seletivo que favoreceu espécies com estratégias ecológicas mais rápidas. “Nossa pesquisa fornece evidências de que a extinção em massa foi funcionalmente seletiva para as plantas”, conta Benjamin Blonder, principal autor do trabalho.

A equipe se valeu de métodos biomecânicos para investigar milhares de fósseis de folhas de angiospermas. Esse grupo é constituído, basicamente, de plantas que produzem flores e têm frutos que protegem as sementes. Com isso, Blonder e colegas puderam reconstruir o cenário ambiental dos 2,2 milhões de anos que se seguiram ao impacto do asteroide.

As investigações forneceram evidências de que as angiospermas decíduas de crescimento rápido substituíram, gradualmente, as plantas cujo desenvolvimento é lento. Além disso, os resultados engrossam os bancos de dados sobre as alterações na vegetação ao longo dos milênios. Eles também demonstram quais características conferem a alguns vegetais a capacidade de escapar de grandes perturbações sem tanto sacrifício.
Donna Braginetz / Denver Museum of Nature & Science.

Sem luz

No trabalho, os cientistas mediram a massa e o tamanho das folhas, obtendo detalhes de propriedades como densidade e espessura. As mais grossas, explica Blonder, demandam mais energia para serem produzidas. Essa é uma característica das plantas perenes, que costumam investir mais em folhas firmes e duradouras. As finas, entretanto, são um indício de economia. É o caso das decíduas, que apostam na queda de folhas e no aumento metabólico para sobreviverem.

Se comparadas com as mais frondosas, essas últimas têm crescimento acelerado, o que aumentou as chances de elas resistirem ao caos climático provocado pelo Chicxulub. Entre outras intempéries, o evento provocou uma acentuada queda na temperatura, resultado do bloqueio da luz solar por um denso escudo de poeira levantado pelo impacto. Para algumas plantas, esse “inverno” significou uma escassez fatal de luz.

Lucimar Barbosa da Motta, professora da Universidade Paulista (Unip) de São Paulo, explica que, na escuridão, as decíduas levaram vantagem. “Essas plantas perdem as folhas porque precisam eliminar área. A função das folhas é captar energia solar e transformá-la em energia química. Em alguns períodos, as plantas ficam sem água e passam por outras restrições ambientais. Então, a proteção das decíduas é perder a folha para não ressecar e para economizar energia”, diz a especialista.

Mas o que isso tem a ver com a camada de poeira, afinal? “É que, na verdade, elas podem perder as folhas e ficar um tempo sem realizar a fotossíntese, processo ligado à luz. É como se elas dormissem quando não há tanta oferta de luminosidade. As perenes, por outro lado, necessitam disso”, esclarece a doutora em botânica pela Universidade de São Paulo (USP).

Tempo atual

A explicação é consistente com a proposta de Blonder. A hipótese sugerida por ele sustenta que os baixos níveis de luz e alta variabilidade climática favoreceram espécies que contavam com estratégias metabólicas rápidas. Plantas perenes, de metabolismo mais lento, como o azevinho e o rododendro, acabaram se encontrando em um ambiente pouco propício para as características adquiridas durante a evolução.

“O crescente domínio de angiospermas decíduas no Paleogeno parece ter sido reforçado tanto pelo impacto quanto por alterações climáticas de longo prazo. A dinâmica observada no Cretáceo e no Paleogeno provavelmente teve influência no funcionamento dos ecossistemas”, especula o autor. Isso significa, ainda, que o sucesso das plantas de metabolismo mais rápido pode ter aumentado as taxas de decomposição e os ciclos da água, o que provavelmente afetou os mais diversos processos globais.

Os resultados aprofundam a compreensão dos fatores que costumam determinar quem são os vencedores e os perdedores de eventos que resultam em extinções em massa. Inclusive, do momento atual, que, para muitos especialistas, é muito perigoso para diversas espécies (leia saiba mais). “Essas dinâmicas são de grande interesse para os pesquisadores que estudam a sucessão, a invasão e outras questões da vida vegetal. O problema é que as séries de dados disponíveis são muito raras. Nosso estudo destaca, portanto, o poder de análises paleoclimáticas para agregar informações sobre as mudanças climáticas, extinções e desempenho das espécies a longo prazo”, defende Blonder.

 

Cratera de 150km
O asteroide Chicxulub recebeu este nome por ser o mesmo da pequena cidade localizada perto do local onde ele caiu, na Península de Iucatã, no México. A rocha com 10 quilômetros de diâmetro atingiu a superfície do planeta com uma força de 100 teratons de TNT. Além de abrir uma cratera de 150km de diâmetro, ela gerou megatsunamis, incêndios, terremotos e explosões vulcânicas em vários pontos do globo. Estudos anteriores revelaram que, embora os efeitos tenham dizimado os dinossauros, abriram caminho para a ascensão dos mamíferos. 

 

Saiba mais

Rumo à sexta extinção

Pesquisa publicada em março de 2013 na revista Nature revelou que 80 das 5,5 mil espécies de mamíferos conhecidos deixaram de existir nos últimos 500 anos. Se as espécies classificadas oficialmente como em risco crítico, em risco ou vulneráveis realmente se extinguirem, e se a taxa de desaparecimento mantiver o ritmo, a sexta extinção em massa poderá chegar daqui entre três e 22 séculos, afirmou, na época, Anthony Barnosky, curador do Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia em Berkeley.

 

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Fernando
Fernando - 01 de Outubro às 11:04
Calma gente... calma! Daqui a pouco terminamos de destruir o que restou...
 
JOSÉ
JOSÉ - 01 de Outubro às 09:44
Muitos mendigando, passando fome enquanto se gasta dinheiro com umas pesquisas tão irrelevantes. Mas é isso, o irracinal do ser humano vivendo na ignorância!!