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Centros de pesquisa e desenvolvimento de produtos ganham status em grandes empresas

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postado em 24/07/2014 06:00 / atualizado em 24/07/2014 13:22

Marta Vieira

Das linhas de produção da indústria às prateleiras dos supermercados, aos estoques das lojas ou até chegar a outras fábricas, alimentos, tecidos, minério e aço ganham vida depois de um longo caminho, desconhecido pelo consumidor. A busca por qualidade, segurança e produtividade numa economia globalizada faz com que o embrião e todas as etapas de elaboração desses itens, antes da efetiva produção para o consumo, já estejam entregues aos centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) das empresas. É desses complexos estruturados hoje como espécies de minifábricas, com equipamentos de última geração e pesquisadores superqualificados, que saem as mercadorias mais inovadoras em várias áreas para satisfazer o gosto e as exigências dos clientes.


Geradores de conhecimento e de mão de obra em constante evolução, os centros de P&D estão se tornando estratégicos e recebem orçamento próprio em grandes empresas. Gigante do setor de alimentos, a multinacional brasileira BRF, dona das marcas Perdigão, Sadia, Batavo e Elegê, investiu R$ 58 milhões para reunir, desde o ano passado, num mesmo local  laboratórios e equipamentos modernos, cozinhas experimentais e minilinhas de produção em escala piloto. Abrigado numa área de 10 mil metros quadrados em Jundiaí, no interior de São Paulo, o Innovation Center deve se transformar em referência no Brasil e no exterior na produção de inovações em carnes, pratos prontos, margarinas e proteínas vegetais.

Sem citar números, a BRF informou que o projeto do novo centro de P&D faz parte da meta da companhia de duplicar, até 2015, os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Em outro segmento que tem aplicado volume crescente de recursos com esse fim, o da fabricação de tecidos, pela própria valorização da moda, a mineira Cedro combina os três fatores para brigar nesse mercado. A companhia centenária mantém em Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais, um complexo de laboratórios físico e químico, de desenvolvimento de cores, lavanderia, colorimetria, queima e confeccção, além de realizar pesquisas sobre o algodão.

Segundo o diretor-executivo e industrial da Cedro, Fabiano Soares, os aportes em tecnologias de produção e desenvolvimento de produtos alcançam R$ 30 milhões, em média, por ano. “São investimentos que estão no DNA de uma empresa inserida num mercado tão exigente como o da moda e do tecido profissional”, afirma. Demonstrando a importância do tema, ela construiu a linha de tecidos para uniformes FR Super Leve, que passou a oferecer há três anos material resistente a chamas 20% mais leve e maleável, sem perda da função de proteger o usuário do risco de fogo repentino e arco elétrico.

 A sofistação dos centros de P&D é tão marcante que eles conseguem controlar e ter segurança de todo o ciclo de desenvolvimento do produto, inclusive dos processos industriais, a exemplo do complexo operado pelo grupo siderúrgico Usiminas, em Ipatinga, no Vale do Aço mineiro. Do centro de tecnologia sai a maioria dos novos aços que a empresa fornece às indústrias automotiva e de petróleo e gás. Os avanços foram tremendos nos últimos 10 anos, observa o gerente-geral de P&D da siderúrgica, Eduardo Tonelli, permitindo a criação de chapas com resistência mecânica duas a três vezes maior e, em alguns casos, espessuras menores.

Os pesquisadores não podem perder de vista, ainda, o design atual na produção de automóveis, por exemplo, que é mais exigente em relação à conformação dos materiais usados. “Ninguém tem dúvida de que o sucesso das empresas está ligado à capacidade de inovar, e isso possibilita a elas estar è frente do mercado. Muitas companhias optam por buscar a tecnologia nas suas matrizes e eventualmente compra-se tecnologia, mas é preciso desenvolver para dominá-la”, afirma Tonelli.

Empregando 140 profissionais, sendo 65% com pelo menos uma pós-graduação, o centro de P&D da Usiminas é considerado o maior e mais importante da América Latina na produção de tecnologia siderúrgica. Os investimentos em P&D foram de R$ 28 milhões em 2013 e devem se repetir na mesma proporção no acumulado deste ano. As cifras podem mudar, dependendo dos equipamentos necessários para reproduzir o processo industrial, que a companhia procura manter em permanente atualização.

 

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