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Brasil e 24 países vão definir luta pelos últimos santuários marinhos Reunião na Austrália com 25 países, entre eles o Brasil, debate a criação de áreas protegidas na Antártida. Segundo especialistas, região abriga mais de 16 mil espécies de animais

Estado de Minas

Publicação: 24/10/2013 07:37 Atualização: 24/10/2013 07:38

Pinguins do Arquipélago Crozet são um dos milhares de grupos de animais que vivem nas terras geladas   ((Sophie Lautier/AFP 30/8/12))
Pinguins do Arquipélago Crozet são um dos milhares de grupos de animais que vivem nas terras geladas

Sydney – Países que defendem a criação de santuários marinhos na costa da Antártidca, em uma área do tamanho da Índia, estão reunidos na Austrália com a esperança de superar desavenças e chegar a um acordo favorável aos seus planos. Os membros da Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Antárticos (CCAMLR) – que tem 25 países membros, entre eles Brasil, Estados Unidos, União Europeia, Rússia, Ucrânia e China – buscam, durante toda esta semana em Hobart, na ilha australiana da Tasmânia, chegar a um acordo depois de várias tentativas fracassadas.

O objetivo é proteger os “últimos territórios marítimos virgens”, que, segundo ecologistas, são o hábitat de 16 mil espécies, entre as quais estão baleias, focas, pinguins e peixes endêmicos. À medida que as populações de peixes diminuem drasticamente, depois de décadas de pesca predatória, os barcos pesqueiros se dirigem cada vez mais para o Sul da Antártida.

“É hora de agir”, afirmou Andrea Kavanagh, diretor do projeto de criação de santuários no oceano austral para o Pew Environment Trust. “Os países podem superar as tentativas frustradas do ano passado reunindo-se este mês para salvaguardar essas áreas vitais”, acrescentou.
Um primeiro projeto, liderado por França, Austrália e Alemanha, defende a criação de sete áreas marinhas protegidas no Leste da Antártida, do lado do Oceano Índico, em uma superfície de 1,6 milhão de quilômetros quadrados. Estados Unidos e Nova Zelândia querem estabelecer uma área marítima protegida de 1,25 milhão de quilômetros quadrados no Mar de Ross, baía profunda voltada para o Pacífico.

A superfície total das áreas marinhas protegidas seria um pouco menor que a Índia e cinco vezes maior que a França. Para que as áreas protegidas sejam instauradas, no entanto, elas precisam receber o aval dos 24 países mais a União Europeia, membros do CCAMLR, um organismo criado em 1982, mediante uma convenção internacional, com o objetivo de conservar a fauna e a flora marinha da Antártida.

Interesses distintos
Os debates sobre essas propostas tiveram início em julho, durante encontro na Alemanha, mas nenhum acordo foi concluído devido – segundo as organizações não governamentais – à oposição de Rússia e Ucrânia, que consideram caras as restrições à indústria pesqueira. “Sempre soubemos que haveria oposição daqueles países com interesses relacionados à pesca na região ou que pensam que terão interesses algum dia, declarou, em setembro, o primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key.

Desde então, a Rússia tem enviado sinais confusos e as negociações são difíceis, segundo os especialistas, que não conseguem prever exatamente a direção que Moscou vai seguir. Para tentar vencer a resistência russa, os países que defendem a criação de uma zona protegida no Mar de Ross reduziram a superfície em mais de 20% com relação à proposta inicial, uma tática de negociação qualificada de surpreendente pelo Instituto de Política Estratégica da Austrália (Aspi), centro de pesquisas com sede em Canberra.

“Como uma das últimas grandes regiões virgens, a Antártida merece reconhecimento, respeito e um compromisso especial de parte dos governos que decidiram administrá-la”, informou um texto divulgado pelo instituto na segunda-feira. Os defensores dos santuários marinhos, entre eles alguns que trabalham no projeto há oito anos, alertaram que não vão desistir, mesmo se as negociações em Hobart fracassarem.

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