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Instituto no Brasil pesquisa tinta 'autocicatrizante' para carros e móveis Inaugurado no Paraná o primeiro Instituto Senai de Inovação do Brasil. Até 2015, país deverá ter 25 unidades em 14 estados. Objetivo é incentivar pesquisas que gerem soluções para a indústria

Augusto Pio

Publicação: 19/10/2013 06:00 Atualização: 19/10/2013 19:20

Luiz Carlos Ferracin, coordenador do Instituto Senais de Renovacao  (Gelson Bampi/Divulgacao )
Luiz Carlos Ferracin, coordenador do Instituto Senais de Renovacao

Uma unidade recém-inagurada do Sistema da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) – o Instituto Senai de Inovação (ISI-PR), o primeiro do Brasil – já nasce com as pesquisas em alta. Uma delas chama a atenção: é uma tinta "autocicatrizante", inédita no país por usar nanocápsulas contendo tinta e um catalisador, liberadas apenas quando a pintura do objeto é riscada. De acordo com os pesquisadores envolvidos no trabalho, a recuperação pode alcançar até 75% dos danos. A nova tecnologia permitirá que a pintura de carros, eletrodomésticos e até móveis se autorregenere quando riscada, bastando uma aplicação da tinta. A tecnologia libera uma tinta internamente e, depois de alguns segundos após riscado, o objeto estará novamente como antes, sem o risco, que desaparece rapidamente.

Luiz Carlos Ferracin, coordenador do laboratório de pesquisa do ISI-PR, explica que são tintas que, de forma autônoma, fazem a reparação de fissuras em pinturas e superfícies, com potencial de aumentar significativamente a longevidade dos materiais. “Quando há um risco, microcápsulas, contendo pigmentos, são liberadas de dentro da pintura, reparando-a imediatamente. Algumas montadoras estrangeiras, como a japonesa Nissan, já fazem uso dessa tecnologia em carros de luxo, desde 2005. No exterior já há uma tinta com comportamento similar à que estamos pesquisando”. Ele diz que o estudo encabeçado pela equipe do ISI-PR está em fase inicial e que o projeto terá a duração de 20 meses.

Ferracin esclarece que esse sistema de "autocicatrização” inclui material contendo partículas sólidas e nanocápsulas com a tinta incorporada numa matriz epóxi. “Quando uma fenda ou risco se propaga por meio do material,  rompe as microcápsulas contidas na tinta, que liberam pigmentos para dentro do plano da fenda. A tinta, em seguida, misturada ao catalisador, é submetida à polimerização e ‘cura’, para assegurar a continuidade estrutural do local onde ocorreu inicialmente a fenda”. Luiz Carlos salienta que a eficácia da tinta pode chegar até a 75% de reparação. “Não há nenhum perigo de ocorrerem manchas, pois os componentes serão os mesmos da tinta aplicada. Agora, é importante esclarecer que a tinta original deve ter base epóxi, onde as nanocápsulas são adicionadas aos pigmentos normais”, esclarece Ferracin.

O pesquisador acredita que a tinta pesquisada pelo ISI-PR deverá estar disponível no mercado em dois ou três anos. “Tudo dependerá, em parte, de a indústria montadora se adequar e inserir a tinta em sua linha de produção. Falta apenas a aprovação do projeto pelos órgãos de fomento, mas as solicitações já foram feitas e o projeto começa a ser desenvolvido em março de 2014. Quanto ao preço da tinta, esse levantamento de custo deverá ser feito pelas montadoras, mas o que se vê em mercados europeus é que, financeiramente, o valor é viável somente em carros de luxo. Portanto, tudo dependerá do desenvolvimento e inovação para obtermos um comportamento similar, com baixo custo. A rede de laboratórios permitirá que o conhecimento de testes e serviços de alto valor agregado fiquem no Brasil. As nanocápsulas contendo pigmento e catalisador serão misturadas à tinta normal”, ressalta o pesquisador.

A tinta deverá ser aplicada pelas montadoras sem nenhuma alteração no processo de pintura hoje adotado. “O processo demora de duas horas a uma semana, dependendo das condições climáticas às quais a pintura está submetida”. Além de Luiz Carlos, integram o laboratório os pesquisadores Marcos Antonio Coelho Berton, Paulo Roberto Dantas Marangoni e Nerio Vicente Junior, todos do Instituto Senai de Inovação de Eletroquímica, no Paraná.

No caso do ISI-PR, seu foco é em eletroquímica, com o objetivo de fortalecer a competitividade e a produtividade nos segmentos petroquímico, mineral, metal-mecânico, cosméticos, energia e construção civil.

O ISI-PR foi inaugurado durante a realização do 1º Seminário Internacional de Inovação Industrial em Eletroquímica. Nesta primeira fase, o ISI-PR terá 300 metros quadrados (m2)de laboratórios e investimentos de R$ 8 milhões. Até 2015, a infraestrutura deverá ser ampliada, com um novo edifício de 10 mil m2, orçado em mais de R$ 50 milhões.

Soluções práticas

O primeiro Instituto Senai de Inovação (ISI) do país foi inaugurado em 17 de setembro, em Curitiba (PR). Até o final de 2014, serão inaugurados 25 ISIs em 14 estados. Com equipamentos exclusivos, os ISIs oferecerão soluções inéditas, ou que até então eram importadas pelas empresas, quando necessárias. Além dos 25 ISIs, o Senai deverá inaugurar 63 institutos de tecnologia no país, totalizando R$ 1,9 bilhão em investimentos – sendo que  R$ 1,5 bilhão são recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). Os ISIs estão sendo estruturados a partir de parcerias estratégicas com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e o Instituto Fraunhofer, da Alemanha. As estruturas servirão para atender demandas específicas de empresas e indústrias de pequeno, médio e grande portes.
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