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Estado de Minas

Gravidez tensa pode levar à deficiência de ferro em recém-nascidos


postado em 18/05/2012 08:51 / atualizado em 18/05/2012 08:55

Grávida de seis meses, Daniela Rico pratica exercícios para proteger o filho e fortalecer a musculatura (foto: (Carlos Silva/Esp.CB/D.A Press 2013))
Grávida de seis meses, Daniela Rico pratica exercícios para proteger o filho e fortalecer a musculatura (foto: (Carlos Silva/Esp.CB/D.A Press 2013))
Começo da vida. Falta de preocupações. Distância da ansiedade. E uma herança causada por um dos principais males da vida moderna: o estresse. Nem os bebês estão livres dos efeitos desse tão falado desconforto físico e psicológico, segundo estudo apresentado no encontro anual da Pediatric Academic Societies (PAS), realizado no mês passado, nos Estados Unidos. E o problema começa na gestação. De acordo com a pesquisa, recém-nascidos de mães estressadas, durante o primeiro trimestre da gravidez, têm o risco de ter uma deficiência de ferro no organismo, o que pode levar a problemas físicos e mentais durante a infância.

Só detectada por meio de exame de sangue, a carência da substância causa nas crianças fadiga, falta de apetite, palidez da pele e das mucosas na parte interna do olho e na gengiva, dificuldade de aprendizagem e apatia. O ferro tem como principal função transportar o oxigênio no sangue por intermédio da hemoglobina, existente nos glóbulos vermelhos. Ele interage também no desenvolvimento dos órgãos, especialmente o cérebro, e desempenha um papel importante nos processos metabólicos. Sabe-se, contudo, que os fatores de risco da deficiência de ferro, além de estarem ligados a problemas na gravidez, podem estar relacionados ao tabagismo, à diabetes, ao parto prematuro e ao baixo peso no nascimento.

Conduzido por pesquisadores da universidade israelense Ashkelon Academic College, do Barzilai Medical Center (Israel) e da Universidade de Michigan (Estados Unidos), o estudo tem resultado pioneiro. “Nossas descobertas indicam que mães estressadas podem fazer com que os filhos façam parte de um grupo até agora desconhecido de crianças com deficiência de ferro devido ao estresse”, diz Rinat Armony-Sivan, diretora do laboratório de pesquisa em psicologia da Ashkelon Academic College. A pesquisadora ressalta a importância de conduzir a gravidez com tranquilidade. “Mulheres grávidas devem saber que a saúde nutricional, os níveis de estresse e o estado da mente afetarão a saúde e o bem-estar do bebê”, alerta.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores recrutaram gestantes prestes a dar à luz no centro médico de Barzilai. O primeiro grupo de mulheres era constituído por grávidas estressadas. Durante o primeiro trimestre de gravidez, elas viveram em uma área em que ocorreram mais de 600 ataques de foguetes durante a operação Oferet Yetzula (conhecida no Brasil como Operação Chumbo Fundido), conduzida por militares das Forças de Defesa de Israel na Faixa de Gaza. O segundo grupo viveu na mesma área e deu à luz três ou quatro meses depois que os bombardeios acabaram.

As participantes do estudo foram entrevistadas sobre o início da gestação, possíveis sintomas de depressão e ansiedade, e tiveram o nível de estresse medido pelos especialistas. Após o parto, o sangue do cordão umbilical foi coletado e as concentrações de ferro medidas. Os resultados mostraram que os 63 bebês de mães estressadas tinham menos concentração de ferro no cordão umbilical, diferentemente dos 77 recém-nascidos de mulheres que não vivenciaram os bombardeios na Faixa de Gaza.

A partir dos resultados, Armony-Sivan acredita ser importante, principalmente nas áreas em que as pessoas têm mais deficiência de ferro, medir a presença da substância no organismo antes do primeiro ano de vida. O cuidado faz com que doenças como a anemia possam ser detectadas mais cedo e tratadas antes que se tornem severas e crônicas.

Embasamento
Para o obstetra Jurandir Passos, o estudo necessita de um maior embasamento. “Foram poucas pacientes e a pesquisadora ainda não conseguiu explicar como a comparação entre o estresse e o ferro foi feita. Um grupo de mulheres deveria ser analisado sob um ponto de vista nutricional desde o primeiro mês de gravidez. Há outros fatores que poderiam ser considerados. De repente, houve uma questão que dificultava a alimentação da gestante e, devido a isso, ocorreu a deficiência”, sugere.

Passos pontua outros problemas que podem estar relacionados à carência da substância ainda na gestação. “A gravidez, por si só, pode ter complicações, como desnutrição leve, diabetes e pressão alta. A deficiência de ferro pode ter relação com esses fatores”. A falta da substância na mãe também agrava a situação, de acordo com o obstetra. “Os hábitos alimentares podem interferir na presença do ferro no organismo. Há gestantes que são vegetarianas ao extremo, por exemplo, e desconhecem que o ferro de origem vegetal tem concentrações menores de ferro do que aqueles de origem animal. Isso pode acarretar em uma anemia durante a gestação”, salienta.

Aline Alencar, fisioterapeuta e professora de pilates e ioga, acredita que atividades antes, durante e depois da gestação ajudam as mães a controlar o estresse e a ansiedade. “Geralmente, são exercícios leves, que visam fortalecer o corpo. O trabalho com a respiração pode ajudar no controle físico e até mesmo no relaxamento.”

Aos 37 anos, a educadora física Daniela Rico está grávida de seis meses. Idealizadora de um programa específico para gestantes, segue à risca os conselhos dados aos alunos. O programa de Daniela envolve, principalmente, quatro atividades: ginástica de solo (aula que trabalha exercícios de alongamento, localizada e preparação para o parto), hidrogestante (atividade aquática que associa condicionamento físico nas áreas cardiopulmonar e de resistência muscular), natação e ioga para gestantes. “Essas atividades fortalecem a musculatura, amenizando dores e desconfortos e prevenindo patologias como a diabetes gestacional e o aumento da pressão arterial. Também há a redução de edemas e a melhora da circulação sanguínea”, conta.

Ela considera que as atividades físicas direcionadas às gestantes contribuem para a saúde emocional e física dos bebês: “Os exercícios deixam as mães mais tranquilas, diminuem a ansiedade, o estresse e até mesmo a depressão. Isso tudo acontece porque estar na ativa libera hormônios de prazer no corpo da mulher, prevenindo eventuais problemas durante e depois da gravidez para ela e para o filho.”

Saiba mais
A importância da boa alimentação

A principal causa da anemia é a deficiência de ferro, que pode ser causada pela pouca ingestão de alimentos como nozes, castanhas, fígado, carne magra e frutas secas. Contudo, a ausência de vários nutrientes, como proteínas, vitamina B12 e cobre, também pode levar à doença. A anemia afeta 1,62 bilhão de pessoas em todo o mundo, como indica a análise de prevalência da doença feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2008. O relatório informa que 293 milhões do total de anêmicos são crianças em idade pré-escolar. A doença pode levar a criança a desenvolver problemas cognitivos e psicomotores que comprometem a capacidade de aprendizagem e aumentam a possibilidade de infecções, devido à baixa imunidade do organismo.

Fonte: Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN)


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