Brasília – Contrariando recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU) de descentralizar e democratizar projetos culturais, o Ministério da Cultura autorizou a destinação de R$ 12,3 milhões para a produção do Rock in Rio Brasil 2011, o maior e um dos mais rentáveis festivais de música da América Latina. A captação, via Lei Rouanet, contrariou pareceres técnicos internos da própria pasta, que contestaram o volume de recursos públicos destinado a um projeto lucrativo e cobraram maior contrapartida dos produtores. Depois da aprovação das verbas, funcionários ligados ao convênio e autoridades do ministério ainda ganharam passe livre para o festival.
A “caravana” do Ministério da Cultura contou com o aval e a presença do secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Henilton Parente de Menezes. Servidores que ocupam cargos comissionados postaram fotos da viagem nas redes sociais. O Código de Ética da Administração Federal estabelece limite de R$ 100 para presentes. O ingresso mais barato do Rock in Rio custava R$ 190 na bilheteria.
A festa dos funcionários públicos só ocorreu porque o ministério ignorou recomendações da própria pasta e dos órgãos de controle.Documentos obtidos pelo Estado de Minas revelam a preocupação de técnicos do ministério com o descumprimento da legislação, que estabelece a adoção de medidas para facilitar o acesso às atividades culturais. Por esses pareceres, o dinheiro público deveria financiar eventos culturais que encontram dificuldades de se bancar. Não foi o caso do Rock in Rio. A receita prevista do festival era de R$ 34,2 milhões.
Segundo os próprios organizadores, os números do evento, que aconteceu no mês passado no Rio de Janeiro, surpreenderam. Foram mais de 700 mil pessoas em sete dias. A Instrução Normativa 1 do ministério afirma que “os preços de comercialização dos ingressos devem ser estipulados com vistas à democratização do acesso”. Os valores acima de R$ 190 não se encaixam no perfil, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Para o ministério, a democratização do festival ficou por conta da distribuição gratuita de 5.042 ingressos destinados a jovens e professores de escolas públicas do Rio de Janeiro, e das oficinas de música. Segundo o secretário Henilton Menezes, que foi ao festival, os ingressos não são considerados presente e, por esse motivo, não há violação da regra que não permite regalos acima de R$ 100. “É uma obrigação que o produtor envie para o ministério, e eles perdem a validade. Adotei então essa metodologia de qualificação. Coloco à disposição para que minha equipe participe do movimento cultural brasileiro. Foi uma decisão minha”, afirma, negando conflito de interesse. “Por que ele vai pagar se é doado por lei?” O secretário sustenta que a prática acontece corriqueiramente e que ele mesmo vai aos eventos – que têm apoio do Ministério da Cultura – de graça. “Sou o secretário de Fomento à Cultura”, disse.
Questionado se a ministra Ana de Hollanda tinha conhecimento da “política de distribuição interna” de ingressos para eventos culturais na pasta, Henilton respondeu: “Ela não sabe de tudo que acontece no ministério”, completando que tem um cargo de confiança que lhe dá esses poderes.
FiscalizaçãoO projeto do Rock in Rio, enquadrado como “música popular”, foi alvo de diligências desde agosto do ano passado. A equipe técnica encontrou irregularidades no projeto inicial apresentado pela empresa Dream Factory Comunicação e Eventos Ltda. No entanto, a captação de R$ 4,3 milhões foi autorizada em 29 de outubro. Os produtores conseguiram apoio das Lojas Leader, Sky Brasil, Rio de Janeiro Refrescos, Hurgus Comércio e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, um dos maiores contribuintes, com R$ 1,2 milhão.
Na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic), o parecer ressaltava outra irregularidade já apontada pelo TCU: a de que os projetos não apresentavam informações suficientes sobre a proposta. A Cnic apontava que grande parte do orçamento estava destinada à estrutura do evento, incluindo lojas, bares, restaurantes e entretenimento, e não às atividades culturais. Os conselheiros também alertaram que a proposta não apresentava todos os custos do Rock in Rio e incluía despesas proibidas, como passagens de primeira classe e refeições para pessoas que não estavam diretamente ligadas à produção do evento.
A reportagem entrou em contato com a produtora, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.
Esta matéria tem: (5) comentários
Autor: Edilson Guimaraes
IPIAÇU é no triângulo né? Ja entendi a natureza do comentário. Lá tudo que é pra Minas é mal empregado. Já tudo que é SP provoca deslumbramento. Incorrigíveis!!!! | Denuncie |
Autor: JOSE ALVES
Isso tambem é curtura! E tem gente ai embaixo achando ruim , não porque o dinheiro foi desperdiçado mas porque não foi em BH! Duro viu! E aqui em Ipiaçu num vai ter Roque no Rio , não? | Denuncie |
Autor: Edilson Guimaraes
Pois é. Certo tempo atrás o Sr. Medina, produtor do Rock In Rio, disse que "aceitaria" ser Ministro da Cultura, desde que a sede do ministério fosse para o Rio de Janeiro. Do jeito que as coisas andam, acho que ele ainda consegue isso. País de Rio e São Paulo. E as "províncias" que se danem!!! | Denuncie |
Autor: Antonio
Depois dizem que B.Horizonte não tem como promover grandes shows, mas o motivo é que a corja de Brasilia sabe onde aplicar nosso dinheiro e ganhar o "jabá" de retorno. Viva o PT ! Viva a "sociedade civil organizada" ! | Denuncie |
Autor: Mineiro Mineiro
é dinheiro público jogado fora... | Denuncie |