CNV pede que Polícia Federal acompanhe investigações sobre morte de coronel

Coordenados da Comissão Nacional da Verdade pediu participação da PF nas investigações, que devem ocorrer com "rigor e celeridade"

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postado em 25/04/2014 16:18 / atualizado em 25/04/2014 16:40

Estado de Minas

Comissão Nacional da Verdade/Divulgação

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) pediu que a Polícia Federal participe da investigação sobre a morte do ex-agente do Centro de Informações do Exército, Paulo Malhães, ocorrida na noite dessa quinta-feira, em sua residência em Nova Iguaçu. O coordenador da comissão, Pedro Dallari, entrou em contato com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no início da tarde desta sexta-feira, para solicitar que a PF acompanhe o trabalho da Polícia Civil do Rio de Janeiro no caso.

Para a CNV, a eventual relação do crime com as revelações feitas por Malhães à Comissão Nacional da Verdade, à Comissão Estadual da Verdade do Rio e à imprensa deve ser investigada "com rigor e celeridade". "Por se tratar de uma situação que envolve investigação conduzida pela CNV, que é órgão federal , pedi que a Policia Federal fosse acionada para acompanhar as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio", afirmou Dallari.

Mais cedo, o presidente da Comissão Estadual da Verdade (CEV) do Rio de Janeiro, Wadih Damous, disse que a morte do coronel pode estar relacionada ao depoimento prestado em março. "Na minha opinião, é possível que o assassinato do coronel Paulo Malhães tenha sido queima de arquivo", afirmou Damous.

Segundo o presidente da CEV, Malhães foi um agente importante da repressão política na época da ditadura e era detentor de muitas informações sobre fatos que ocorreram nos bastidores naquela época. "É preciso que seja aberta com urgência uma investigação na área federal para apurar os fatos ocorridos no dia de hoje. A investigação da morte do coronel Paulo Malhães precisa ser feita com muito rigor porque tudo a leva a crer que ele foi assassinado", disse Damous.

Tortura

Em março, Malhães prestou depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV) e revelou ter participado de torturas de opositores do regime militar, durante a ditadura. Disse ainda ter sido o responsável pelo sumiço do corpo do deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971. Demonstrando frieza, o militar admitiu que torturou, matou e mutilou corpos, arrancando dentes e as pontas dos dedos das vítimas. O procedimento, segundo ele, era necessário para para impossibilitar a identificação dos mortos. Perguntado se tinha arrependimento, o coronel afirmou que "não tinha outra solução" e que matou "tantos quanto foram necessários".

O corpo de Malhães foi encontrado sítio em que morava em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, com marcas de asfixia, segundo a Polícia Civil. De acordo com o relato da viúva Cristina Batista Malhães, três homens invadiram o sítio de Malhães na noite desta quinta-feira, 24, à procura de armas. O coronel seria colecionador de armamentos, disse a mulher aos policiais da Divisão de Homicídios da Baixada que estiveram na propriedade. Cristina disse que ela e o caseiro foram amarrados e trancados em um cômodo, das 13h às 22h desta quinta-feira.
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