
Agentes penitenciários disseram que os presos estavam no pátio quando foram envenenados com o coquetel da morte, uma mistura de cocaína, viagra, água e até crEolina. Eles chegaram a ser encaminhados para a enfermaria, mas não resistiram e morreram no local. Esse método foi criado em meados da década passada por membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar seus inimigos. O PCC desenvolveu esse coquetel porque a causa da morte é identificada como overdose e, dessa forma, é difícil chegar à autoria do homicídio. O CDP de Santo André é dominado por integrantes da facção. O caso foi registrado inicialmente como “morte suspeita”.
Martins e Lima foram denunciados pelo Ministério Público no dia 27, cerca de dois meses depois do assassinato do boliviano. Na ocasião, a Justiça decretou a prisão preventiva dos dois. Um terceiro envolvido, menor de idade, está apreendido na Fundação Casa. Segundo a polícia, Diego Rocha Freitas Campos, de 20 anos, é o suspeito de dar o tiro que matou o garoto boliviano. Ele e mais um colega, Wesley Pedroso, de 18 anos, que participou do assalto, estão foragidos. Campos estava preso, mas fugiu em maio do Centro de Detenção Provisória Franco da Rocha, onde cumpria pena por roubo. Ele saiu da prisão no indulto de Dia das Mães.
Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária informou que o caso foi comunicado à Vara de Execução Criminal, à Polícia Civil e à perícia técnica. Segundo o órgão, será instaurado procedimento para apontar as causas das mortes.
O CRIME Bryan foi morto em 28 de junho, durante um assalto à casa em que morava com a família e outros bolivianos na região de São Mateus. A mãe dele, a costureira Veronica Capcha Mamani, de 24 anos, contou que o filho chorou na frente dos criminosos e pediu para não morrer, mas levou um tiro na cabeça. De acordo com o boletim de ocorrência, os criminosos disseram que cortariam a cabeça da criança, caso ela não parasse de gritar. Os familiares de Bryan chegaram a entregar R$ 4.500, mas os bandidos, insatisfeitos, passaram a ameaçar todos dentro da casa.
Quando o crime aconteceu, a família estava havia seis meses no Brasil. Os pais de Bryan, que trabalhavam em uma oficina de costura, voltaram para a Bolívia após a morte do filho. A comunidade boliviana em São Paulo se mobilizou para ajudá-los no retorno.
