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OCDE prevê modesta recuperação mundial graças aos planos de investimento

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postado em 28/11/2016 13:01

AFP /Agence France-Presse

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) espera uma recuperação modesta do crescimento mundial a partir de 2018 graças aos planos de reativação orçamentária como o prometido pelo presidente eleito dos Estados Unidos Donald Trump, mas também alerta para os riscos do protecionismo.

A OCDE manteve sem modificações sua previsão de crescimento mundial em 2,9%, e aumentou muito levemente em 0,1 ponto a de 2017, a 3,3%, um crescimento fraco, que a organização pede que se combata recorrendo ao gasto orçamentário.

A OCDE, com sede em Paris, prevê, no entanto, sinais positivos que poderão começar a surtir efeito na atividade mundial a partir de 2018.

Para este ano, a OCDE prevê uma recuperação modesta, de 3,6%, graças aos planos de reativação adotados no Japão e Estados Unidos.

"As iniciativas orçamentárias poderão catalisar a atividade econômica privada e dar assim um impulso à economia mundial para que alcance índices de crescimento modestamente mais elevados em 2018", afirmou a economista-chefe da OCDE, Catherine Mann, que apresenta pela primeira vez suas previsões para 2018.

Esta reativação se sustentaria essencialmente nos Estados Unidos, maior economia mundial que terá, em 2018, um forte crescimento econômico de 3%, o dobro do deste ano (1,5%) e ainda mais que o esperado para 2017 (+2,3%).

O presidente eleito Donald Trump prometeu realizar um grande plano de investimentos nos Estados Unidos, de 550 bilhões de dólares, para renovar as infraestruturas. Este ano é visto positivamente pelo FMI e a OCDE, que consideram que terá um efeito "trampolim" para a reativação da economia mundial.

- O risco do protecionismo -

Em compensação, as promessas de protecionismo são menos bem recebidas pela OCDE.

"O protecionismo e as inevitáveis represálias comerciais que poderão ser geradas podem atenuar com força os efeitos das iniciativas orçamentarias", alertou Catherine Mann, que não citou explicitamente o presidente eleito dos Estados Unidos.

O Japão anunciou no segundo trimestre um plano de reativação orçamentária que terá efeitos sobre seu crescimento mais modestos que nos Estados Unidos, mas ainda assim a OCDE elevou para o país asiático suas previsões em dois décimos para este ano, a 0,8%, e também para 2017 (três décimos a mais, a 1%), embora com um retrocesso de 0,8% em 2018.

A OCDE espera que a desaceleração do crescimento da China continue, com uma previsão de aumento do PIB, a 6,7% neste ano, 6,4% em 2017 e 6,1% em 2018.

A tendência é inversa para a Índia: a organização espera que mantenha um forte crescimento, que passaria de 7,4% em 2016, 7,6% no ano que vem e 7,7% em 2018.

Já o Brasil continuará com forte recessão neste ano (-3,4%), mas terá um alívio em 2017 (0%) e voltará a crescer em 2018 (+1,2%).

A OCDE não aposta em grandes mudanças na Europa, onde o gasto orçamentário é limitado pelo pacto de estabilidade, que exige um déficit não superior a 3% do PIB.

A Alemanha, maior economia da zona do euro, manterá um crescimento estável de 1,7% anual de 2016 a 2018. A França terá nesses três períodos anuais um crescimento moderado (1,2% - 1,3% - 1,6%), enquanto que o Reino Unido passará de 2% em 2016, a 1,2% em 2017 e a 1% em 2018, pelas consequências do Brexit.

A Espanha continuará sendo, segundo a OCDE, um dos países europeus com maior crescimento (+3,2% - +2,3% - +2,2%), apesar do alto, porém declinante, nível de desemprego, em torno de 19%.



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