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Milhares de civis fogem do leste de Aleppo para áreas controladas pelo governo

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postado em 27/11/2016 21:46

AFP /Agence France-Presse

Milhares de civis fugiram da zona rebelde de Aleppo com destino às áreas controladas pelo governo sírio, depois que o Exército reconquistou o maior bairro insurgente da segunda mais importante cidade do país.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), neste domingo (27), quase dez mil pessoas fugiram do leste de Aleppo rumo às zonas ocupadas pelas forças pró-governo e rumo ao bairro curdo de Sheikh Maqsud.

"Cerca de dez mil civis fugiram de Aleppo Oriental entre o sábado à noite e domingo. Pelo menos seis mil deles foram para o bairro [controlado pelas forças curdas] de Sheikh Maqsud. O restante foi para as zonas governamentais de Aleppo", completou o OSDH.

A captura do distrito de Masaken Hanano no sábado (26) é o maior êxito militar do Exército sírio desde o início da ofensiva lançada em 15 de novembro para retomar a parte oriental da cidade, nas mãos dos rebeldes desde 2012.

Estimulado por esse avanço, o governo mostrou sua intenção de expulsar os rebeldes, que denunciam a inação da comunidade internacional frente à política "de fome e de submissão" implementada por Damasco.

Masaken Hanano foi o primeiro bairro conquistado pelos insurgentes em 2012. O conflito dividiu a cidade em duas partes: o leste, controlado pelos rebeldes, e o oeste, em poder do Exército.

As forças do regime assediam a zona oriental de Aleppo, onde vivem cerca de 250.000 pessoas, há quatro meses.

No sábado à noite, pela primeira vez desde 2012, cerca de 500 civis abandonaram o leste da cidade, segundo o OSDH.

'Aniquilar a revolução'

Esses civis viviam em sua maioria nos distritos de Haydariye e Chaar, vizinhos de Masaken Hanano.

"Eles se dirigiram para Masaken Hanano, onde o Exército os levou para áreas governamentais" do norte e do oeste da cidade, segundo o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Neste domingo o Exército continuava seu avanço para Sajur, outro reduto rebelde, com violentos bombardeios. A tomada desse bairro pode permitir ao regime partir o setor rebelde em dois, isolando o norte e o sul.

"A aviação destrói tudo de forma metódica, zona por zona", disse Yaser al-Yusef, representante de um dos principais grupos rebeldes de Aleppo, Nuredin al-Zinki.

Yusef acusou o regime e seus aliados russo e iraniano de "aniquilar a revolução (...) e de aplicar a política da fome e da submissão, diante da ONU, sem nenhum respeito ao Direito Internacional".

As escolas continuavam fechadas neste domingo no leste de Aleppo por causa dos bombardeios que atingiam a cidade pelo 13º dia consecutivo.

Ataque químico do EI

"O Exército sírio teve seu maior êxito em Aleppo Oriental" e "abre o caminho para um novo avanço", escreveu neste domingo o jornal pró-governo Al-Watan.

"Está determinado a continuar seus esforços, primeiro nos bairros adjacentes a Masaken Hanano, e depois limpando completamente os bairros do leste", acrescentou o jornal.

Neste domingo, o número de civis mortos pela ofensiva do governo chegava a 225, incluindo 27 crianças no leste de Aleppo, onde a população precisa de tudo por culpa do cerco, segundo o OSDH.

Os rebeldes intensificaram, por sua vez, os disparos de foguetes em direção aos bairros do oeste no sábado à noite, matando pelo menos quatro civis e ferindo dezenas, segundo a mesma fonte. No total, 27 civis, incluindo 11 crianças morreram desde o início da operação.

Na frente norte, o Exército turco anunciou que 22 rebeldes pró-turcos foram feridos em um ataque químico executado pelo Estado Islâmico (EI). É a primeira vez que a Turquia, cujas tropas combatem desde agosto o EI e os rebeldes curdo-sírios no norte da Síria, acusa os radicais de recorrer a esse tipo de arma.

A guerra síria, que começou em 2011 quando o regime reprimiu manifestações pacíficas, deixou mais de 300.000 mortos e se transformou em um conflito cada vez mais complexo, onde estão envolvidas forças regionais, internacionais e grupos extremistas.



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