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Atentado reivindicado pelo EI mata peregrinos xiitas no Iraque

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postado em 24/11/2016 17:22

AFP /Agence France-Presse

Um atentado revindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI) matou nesta quinta-feira ao menos 70 peregrinos xiitas no sul de Bagdá, em um novo ataque desde o início da ofensiva contra Mossul para expulsar os extremistas de seu reduto.

Um carro-bomba com 500 litros de nitrato de amônia explodiu em um posto de gasolina lotado de carros que voltavam de uma importante festa religiosa na cidade santa xiita Kerbala, informaram os serviços de segurança.

"Ao menos 70 pessoas morreram, incluindo pelo menos 10 iraquianos e o resto, iranianos", declarou à AFP Falah al-Radhi, chefe da segurança do conselho provincial da Babilônia, onde ocorreu o atentado.

O ataque aconteceu na localidade de Shomali, a 120 km da capital iraquiana e a 80 km de Kerbala.

O EI afirmou que um suicida "explodiu o veículo na concentração (de peregrinos), causando mais de 200 mortos e feridos, incluindo iranianos", em um comunicado citado pelo centro americano de vigilância de sites extremistas, SITE.

"Há corpos completamente queimados no local", explicou Falah al-Radhi, ao mesmo tempo que imagens nas redes sociais mostravam restos de corpos espalhados pela estrada que une Bagdá à cidade portuária de Basora.

Entre 17 e 20 milhões de muçulmanos xiitas, incluindo três milhões de iranianos, estiveram na segunda-feira em Kerbala, a 80 km ao sul de Bagdá, para comemorar o Arbain, o final dos 40 dias de luto pela morte do imã Hussein.

Esta grande celebração do calendário xiita foi organizada sob fortes medidas de segurança, após ter sido alvo de vários ataques do EI nos últimos anos.

O grupo extremista sunita reivindicou vários atentados no Iraque desde o início da ofensiva lançada em 17 de outubro pelas forças governamentais para reconquistar Mossul, a grande cidade do norte convertida em seu reduto em junho de 2014.

As forças pró-governamentais têm atualmente a organização extremista quase toda cercada em seu reduto iraquiano.

Nos últimos dias, as forças iraquianas cortaram diversas vias de acesso em torno de Mossul, especialmente para o leste, em direção à fronteira com a Síria, onde o EI controla a cidade de Raqqa, a 400 km de distância.

As tropas paramilitares de Hashd al-Shaabi ("Mobilização popular") cortaram em particular a estrada Tal Afar-Sinjar, que une Mossul à Síria.

As forças de elite ganhavam, nesta quinta-feira, terreno no leste de Mossul, apesar de uma dura resistência do EI, que ameaça complicar a ofensiva iraquiana, lançada há cinco semanas.

Maan al-Saadi, comandante do Serviço de Contraterrorismo (CTS), afirmou à AFP, próximo do front em Mossul, que seus soldados lutam contra o grupo EI no bairro de Al-Jadraa de Mossul, após terem tomado o de Aden.

"Não podem fugir. Eles têm duas opções: se renderem ou morrer", disse. O CTS assegura ter tomado o controle de mais de 40% dos bairros do leste da cidade.

"Combate brutal"

A coalizão liderada pelos Estados Unidos também bombardeou na quarta-feira várias pontes sobre o rio Tigre, que divide Mossul em duas parte, reduzindo notavelmente a capacidade dos extremistas para abastecer sua frente leste.

Uma velha ponte, da época britânica, e que não pode ser utilizada por veículos pesados, é a única que permanece de pé na cidade.

A consequência é que os combatentes extremistas de Mossul - entre 3.000 e 5.000, segundo estimativas americanas - "não podem ir para lugar algum, não podem se abastecer nem enviar reforços", afirmou à AFP o coronel americano John Dorrian, porta-voz da coalizão.

"O avanço dos iraquianos no sul e sudeste da cidade se acelera, é uma boa evolução", comentou.

Entretanto, ao norte e ao sul de Mossul, os peshmergas (combatentes curdos) e outras tropas se aproximam da cidade e de seu aeroporto.

Apesar de tudo, a ofensiva para reconquistar Mossul está longe de terminar.

"É um combate extremamente duro, brutal, mas é inevitável e os iraquianos vão lutar", indicou o militar americano.

Os combatentes islâmicos enfrentam a resistência com ataques suicida, carros-bomba, atiradores de elite e explosivos. Também dispõem de uma grande redes de túneis subterrâneos que os permite se deslocar rapidamente.

Ainda falta conquistar a parte oeste da cidade, onde se concentra a maior parte dos redutos extremistas. Mas nesses bairros as estreitas ruas irão complicar o deslocamento dos veículos blindados das tropas governamentais.



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