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Plano de infraestrutura de Trump, um estímulo para a economia mundial

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postado em 22/11/2016 17:40

AFP /Agence France-Presse

Apesar de seu slogan "America First", analistas acreditam que a promessa de Donald Trump de investir maciçamente em infraestrutura poderá servir de estímulo para a economia mundial, se suas medidas mais protecionistas forem deixadas de lado.

O plano, avaliado em 550 bilhões de dólares, "poderia ser positivo (...) se aplicado com juízo", afirmou Beth Ann Bovino, economista chefe para Estados Unidos da agência de classificação financeira S&P;, em um encontro recente com a imprensa em Paris.

Durante a campanha eleitoral, muitos economistas criticaram o plano, que poderá resultar em uma explosão da dívida pública americana de 120% a 130% do PIB.

Mas agora até o FMI vê com bons olhos esse investimento colossal que poderá estimular a economia mundial, ainda muito debilitada.

"Todo o dinheiro que se invista na infraestrutura americana, que precisa urgentemente, será bem-vindo", disse à AFP Ludovic Subran, economista-chefe da Euler Hermes, especializado em seguros de crédito, que espera um impacto "positivo" para o crescimento em nível global.

Se Donald Trump aplicar esse plano em janeiro, "a inflação se estenderá no mundo todo", alertou Laurent Geronimi, diretor de gestão de taxa de juros do banco privado Swiss Life.

Um efeito que agradeceria o Banco Central Europeu (BCE) que tenta em vão lutar contra a estagnação de preços na zona do euro.

Para os países emergentes, que nos últimos anos sofreram com a queda das matérias-primas, o plano de Trump poderia valorizar mais o dólar e repercutir positivamente em suas economias.

"Se a divisa americana se valoriza, é bom para nós porque somos exportadores de petróleo e de matérias-primas vendidas em dólares. Quando o dólar sobe, ganhamos um pouco mais", resume Lucas Abaga Nchama, presidente do Banco dos Estados da África Central (BEAC).

Entretanto, junto ao anúncio de seu plano em infraestrutura, Donald Trump anunciou toda uma série de medidas protecionistas que, se forem aplicadas, seriam muito menos positivas para o crescimento, segundo os analistas.

Guerra comercial à vista?

É o caso do anúncio de Trump na última segunda-feira de retirar o quanto antes os Estados Unidos do Acordo Transpacífico (TPP), o ambicioso projeto de tratado de livre-comércio que abarca 40% da economia mundial e que levou anos em negociação.

Resta saber se o novo presidente irá ainda mais longe e aplicará, como prometeu na campanha, aumentos tarifários sobre os produtos chineses ou exigirá renegociar o Nafta, o tratado de livre-comércio entre Estados Unidos, Canadá e México, vigente desde 1994.

"O comércio é uma das incógnitas que acompanhamos de perto", explica Beth Ann Bovino, que teme uma espécie de "olho por olho, dente por dente em que todos perdem".

"Mas ainda não estamos nessa fase", reconhece a economista da S&P;, que adverte que se os Estados Unidos optar pelo isolacionismo "é justo" que haja uma resposta de seus parceiros comerciais.

Por sua vez, Ludovic Subran, da Euler Hermes, adverte que, inclusive antes dessa possível guerra comercial, a combinação de um plano de investimento em infraestruturas e de medidas protecionistas poderia ter grandes consequências.

O plano provocaria inflação e o protecionismo aumentaria o preço dos produtos importados. E essa inflação provocaria um aumento muito maior do que o previsto da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA.

As consequências seriam nefastas para o mundo, em particular para os países emergentes, que viriam as fugas de capital aumentarem, além da desvalorização de suas moedas e o aumento da dívida, negociada em dólares.

Por tudo isso, para o economista Olivier Blanchard, do Peterson Institute for International Economics (PIIE), a recessão ou a expansão da economia mundial "dependerá do equilíbrio entre as medidas macroeconômicas e comerciais" que Trump tomará.



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