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"Molécula gigante" contra Ebola pode ser desenvolvida por cientistas

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postado em 09/11/2015 16:31

AFP /Agence France-Presse



Uma equipe europeia descobriu um método para produzir facilmente uma "molécula gigante" potencialmente capaz de bloquear o vírus Ebola, que já custou mais de 11.000 mortes na África Ocidental, de acordo com um artigo publicado nesta segunda-feira na revista Nature Chemistry.

"Nós conseguimos ultrapassar uma grande barreira, a produção de uma mega- molécula", que pode evitar que o vírus Ebola entre nas células, explica o bioquímico Jean-François Nierengarten, um dos líderes da pesquisa conduzidos em França, Espanha e Bélgica.

Testes in vitro mostraram que esta molécula foi capaz de "colar fortemente" no receptor usado pelo vírus assassino para entrar nas células do corpo humano e, assim, de inibir a infecção, explicou à AFP Nierengarten, que dirige o Laboratório de Química de Materiais Moleculares da Universidade de Estrasburgo e do CNRS.

"É um estudo in vitro e nós ainda não testamos esta família de mega-moléculas in vivo. Este é o próximo passo", comentou, acrescentando que os testes não mostraram até agora "qualquer toxicidade" para a molécula desenvolvida.

Alguns vírus como o Ebola usam um receptor presente na superfície da célula para colar nela e, depois, penetrá-la.

Um estratégias antivirais é a utilização de uma molécula inofensiva mas capaz de se fixar fortemente na célula "à maneira de um velcro", para evitar que o vírus entre.

"Um grande problema com esta abordagem é a preparação de tais moléculas. Isto é tedioso e é difícil produzir estas moléculas em grande escala", explica o pesquisador.

Este trabalho mostra que agora é possível "produzir facilmente" essas moléculas complexas.

Mas antes do desenvolvimento de um tratamento contra o Ebola (e também contra outros vírus, tais como a aids ou a dengue utilizando as mesmas técnicas de fixação), existe "um grande número de barreiras a ultrapassar", segundo Jean-François Nierengarten.

Esta pesquisa foi realizada por químicos da Universidade de Estrasburgo e do CNRS, em colaboração com a Universidade Complutense de Madrid, a de Sevilha, na Espanha e de Namur, na Bélgica.

O surto de Ebola na África Ocidental -- mais grave desde a identificação do vírus em 1976 -- deixou cerca de 11.300 mortos em Serra Leoa, Libéria e Guiné desde o final de 2013 e cerca de 27.500 pessoas infectadas.

A Libéria foi declarada livre da infecção no início de setembro e Serra Leoa foi declarada livre da epidemia no sábado, após 42 dias sem um novo caso.

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