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Metrô de BH faz aniversário sem perspectivas de ampliação

Enquanto isso, sistemas como o do Rio de janeiro se expandem. Pior: orçamento para este ano é um terço do ideal

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postado em 02/08/2016 06:00 / atualizado em 02/08/2016 07:32

Valquiria Lopes

Rodrigo Clemente/EM/DA Press
Um aniversário com pouco a comemorar e um presente esperado há 30 anos que continua sem data para chegar. O metrô de Belo Horizonte completou ontem três décadas de uma história inacabada, sem previsão de término ou de expansão, que nunca levou o trem de superfície da capital além dos atuais 28,1 quilômetros de extensão. Ao contrário, o sistema “comemora” a data em meio a um assombroso corte orçamentário. Enquanto precisaria de R$ 121 milhões para cobrir todo o custeio e manutenção em 2016, apenas R$ 86 milhões foram previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA), dos quais apenas R$ 47,3 milhões foram aprovados pela União. A nova planilha equivale a pouco mais de um terço do valor ideal e gera um déficit orçamentário que pode chegar a R$ 73 milhões até o fim do ano. O arrocho financeiro se soma a outros problemas: os cerca de 220 mil passageiros transportados diariamente convivem com uma rotina de superlotação e panes. Reclamam da segurança e do histórico plano de ampliação que não se concretiza.


Enquanto a verba não chega para Minas, outros sistemas já até mais avançados concluem obras para estender a estrutura existente. Em cerimônia no sábado, na Estação Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, o presidente Michel Temer inaugurou oficialmente a Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro, que liga o bairro da Zona Oeste a Ipanema, na Zona Sul. São cinco estações: Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alah, Antero de Quental, São Conrado e Jardim Oceânico. A expectativa é que até o fim do ano a nova linha, que começou a ser construída em 2010 e já custou R$ 9,7 bilhões (R$ 8,5 bilhões em recursos públicos), entre em operação plena e transporte cerca de 300 mil pessoas por dia. Com isso, o novo ramal vai levar, sozinho, 36% mais passageiros que todo o sistema da capital mineira.

Em BH, com três projetos de expansão elaborados e um em fase final – para mais 37,4 quilômetros de malha ferroviária –, as obras esbarram no velho impasse. “Não há orçamento”, afirma o superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Belo Horizonte, Miguel Marques, sentado em sua sala na sede da empresa em BH, no Bairro Floresta, de onde se vê e ouve o metrô passar. Mesmo assim, o advogado mineiro de 37 anos – que não usa o serviço no dia a dia e está à frente da companhia desde novembro de 2015 – faz um balanço positivo das três décadas de operação. “É um transporte público social. Tem uma tarifa que leva do Eldorado (Contagem) a Vilarinho por R$ 1,80, sem aumento desde 2006. Já tivemos várias evoluções. A última, em 2012, foi a aquisição de 10 trens. Enquanto os antigos comportam 1.026 pessoas, os novos transportam 1.300, têm ar-condicionado e são projetados com televisão. Acredito que esse foi o último grande avanço, um investimento de R$ 171 milhões”, afirmou o superintendente, ex-diretor da Metrominas, órgão do governo estadual que deve assumir a gestão do metrô de BH.

Sobre a tão sonhada implantação das novas linhas, o superintendente é otimista. “Chegamos com um pé na frente para a realização das obras”, avalia Miguel, ao explicar que os projetos para modernização da linha 1 e implantação das linhas 2 e 3 estão em fase final de elaboração e aguardando previsão orçamentária. O problema é que, se seguir pelos mesmos trilhos das últimas décadas, as obras orçadas entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões estão longe de ser executadas.

Desde a implantação do metrô, em 1986, o sistema recebeu cerca de US$ 870 milhões, suficientes apenas para que 17,3 quilômetros fossem acrescentados ao trecho da Linha 1, que dos 10,8 quilômetros entre o Eldorado e a Lagoinha passou para 28,1, chegando a Vilarinho, em Venda Nova. A título de comparação, enquanto São Paulo transporta em cinco linhas, distribuídas por 68 quilômetros, cerca de 4,7 milhões de passageiros em 24 horas, Belo Horizonte precisa de mais de 20 dias para transportar o mesmo volume.

GESTÃO É ENTRAVE Diferentemente dos sistemas do Rio e de São Paulo, o metrô de BH é administrado e operado pela CBTU, órgão federal com sede no Rio, vinculado ao Ministério das Cidades, que também administra os sistemas de João Pessoa, Recife, Maceió e Natal. Atualmente, o governo de Minas Gerais aguarda análise da proposta apresentada em março ao Ministério das Cidades para que o estado assuma o sistema. Assim, toda obra de expansão ficaria a cargo da Metrominas, que dispõe de previsão de R$ 36,3 milhões em verba federal para projetos. Segundo o ministério, o total necessário para elaboração dos projetos de todas as linhas é de R$ 47,3 milhões e o saldo remanescente será liberado à medida em que forem apresentadas comprovações de gastos.

A estadualização é apontada por especialistas como uma esperança de ampliação para o metrô. “Nos últimos anos, a CBTU esteve na alçada de um partido que a usou apenas para distribuição de cargos e outras questões de origem política. No meu entendimento, esse setor somente se desenvolverá se for estadualizado, dentro de um modelo adequado e transparente de desenvolvimento, em parceria com o setor privado”, afirma o professor.

Nos trilhos da história


Os 30 anos de operação comercial do metrô foram lembrados na edição de domingo do Estado de Minas, que publicou reportagem especial contrapondo o metrô que BH tem àquele que a capital merece. Com o tema #metroimaginario, foi criado um mapa de desejos para o transporte metroviário de BH, a partir de sugestões enviadas por leitores por meio de redes sociais. A malha imaginária tem 144 quilômetros e atende também Betim, Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Nova Lima, além de diversos outros pontos da capital e o aeroporto de Confins. A reportagem mostrou os desafios orçamentários e a falta de vontade política para ampliação do sistema, além do sufoco que passageiros do trem de superfície de BH enfrentam diariamente.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Edilson
Edilson - 02 de Agosto às 14:01
O metrô de BH com seus 30 anos continua no passado, ramais velhos, pouca manutenção, sem ampliação de linhas entres outras cidades, ex. Betim, Contagem, Sta Luzia etc, e sem falar em vagões antigos, uma vergonha para cidade de BH, enquanto RIO e SP tem metrô super modernos, monotrilhos e VLT, os nossos governos anteriores e atuías somente preocupa com essa merda de BRT.
 
Sérgio
Sérgio - 02 de Agosto às 13:38
Qdo o Brasil estava nadando em dinheiro e Zé de Alencar como Vice Presidente não fez nada pelo metro de BH, sendo q o Gov. Federal é quem libera recursos para os metrôs no BR.
 
Marcos
Marcos - 02 de Agosto às 10:43
E continuará até que termine a máfia dos prefeito com as empresas de ônibus. Somos todos manipulados.
 
Bruno
Bruno - 02 de Agosto às 10:42
daqui a 2 meses, no segundo turno da eleíções vai ter um monte de barraquinha da metro minas na praça sete e na savassi. lembro perfeitamente que isso foi feito nas últimas eleições. Quem fizer isso será eleito prefeito de BH. Serve também para cidades como Santa Luzia, Neves, Contagem, Betim...
 
Ivam
Ivam - 02 de Agosto às 09:57
Primeiro que chamar de metrô esse trenzinho mineiro é lamentável. Precisamos evoluir muito para transformarmos esse trenzinho em metrô. Com certeza tem alguém lucrando muito com este atraso, tem muita gente interessada para que este metrô realmente não aconteça, podem investigar.
 
Antônio
Antônio - 02 de Agosto às 09:49
Lógico que esse trem sobre trilhos não irá aumentar um metro no próximo século. Todos os políticos ou melhor, bandidos travestidos de autoridades dos últimos trinta anos, mamaram nas testas das empresas de ônibus. E TEM ALGUÉM QUE NÃO SABE DISSO?
 
rodrigo
rodrigo - 02 de Agosto às 08:33
O dia que o metro descobrir que chamam essa carroça de trilho aqui de BH de metro, ele vai se rebelar e descarrilar pelo mundo afora!
 
Adriano
Adriano - 02 de Agosto às 08:03
Me lembro, quando criança, no início dos anos 80 que meu pai me levou para ver a maquete do futuro metrô de Bh, e, quando vimos a maquete, meu pai me disse uma coisa que nunca mais vou esquecer: " Com certeza no ano 2000, está obra estará pronta". Hoje, estamos mais da metade do ano de 2016 e BH ainda não tem metrô. Possui apenas um trem de superfície que te leva de LUGAR NENHUM PARA NENHUM LUGAR........VERGONHOSO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!