SIGA O EM

Indenizações trazem alívio para famílias de Mariana na véspera de Natal

Parentes das 19 vítimas falecidas ou desaparecidas devem receber R$ 100 mil a título de antecipação de indenização. Cada família que sofreu deslocamento físico receberá R$ 20 mil

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
[{'id_foto': 979901, 'arquivo_grande': '', 'credito': ' Euler Junior/EM/D.A Press', 'link': '', 'legenda': '"A gente queria passar o Natal onde a gente estava. Mas, como ocorreu a trag\xe9dia, a gente tem que aceitar que \xe9 muito melhor passar em casa, mesmo que alugada, do que no hotel", Jos\xe9 do Nascimento de Jesus, presidente da Associa\xe7\xe3o Comunit\xe1ria de Bento Rodrigues', 'arquivo': 'ns62/app/noticia_127983242361/2015/12/25/720119/20151225084910734984u.jpg', 'alinhamento': 'center', 'descricao': ''}]

postado em 25/12/2015 06:00 / atualizado em 25/12/2015 08:53

Pedro Ferreira

 Euler Junior/EM/D.A Press
Difícil apagar a dor e as lembranças, mas quem viveu na pele a tragédia provocada pelo rompimento da barragem de rejeitos de minério em Mariana, na Região Central de Minas, conseguiu um alento neste Natal. Acordo do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a mineradora Samarco, que define indenização emergencial para as vítimas, trouxe, no mínimo, um pouco de alívio e conforto nesta data comemorativa.

“Acho que a nossa comunidade ganhou com isso. Foi acima da nossa expectativa. A nossa proposta foi de R$ 10 mil e vieram R$ 10 mil a mais de indenização. Tem muita gente que perdeu tudo e que está precisando de grana”, disse José do Nascimento de Jesus, o Zezinho do Bento, presidente da Associação Comunitária de Bento Rodrigues, uma das comunidades destruídas pelo mar de lama que desceu da Barragem de Fundão, em 5 de novembro.

Segundo Zezinho do Bento, o Natal jamais será o mesmo para quem perdeu parentes na tragédia. “É o primeiro Natal sem essas pessoas que morreram. Mesmo se as famílias já estivessem reassentadas definitivamente, ainda não seria como elas esperavam. É um Natal diferente de todos que a gente já viveu, pois ninguém se conforma em perder uma vida humana, ninguém quer”, lamentou. “Perdemos parentes, amigos e conhecidos, mas pelo menos a maior parte das vítimas saiu com vida e estamos felizes por isso. Só temos a agradecer a Deus por isso”, comentou.

O acordo foi homologado pelo juiz em substituição na 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais de Mariana, Frederico Esteves Duarte Gonçalves. Também participaram da audiência de conciliação as empresas Vale e BHP Billiton. As famílias das 19 vítimas falecidas ou desaparecidas devem receber R$ 100 mil a título de antecipação de indenização. Cada família que sofreu deslocamento físico receberá R$ 20 mil, dos quais R$ 10 mil são antecipação de indenização e R$ 10 mil não serão passíveis de compensação futura. Para o pagamento desses valores, a Samarco poderá levantar R$ 5,5 milhões dos R$ 300 milhões bloqueados na ação cautelar vinculada ao processo. A mineradora terá até 31 de janeiro para prestar conta em juízo do valor gasto.

A Samarco se comprometeu a continuar, por 12 meses, a pagar um salário-mínimo para cada pessoa que perdeu a renda em razão do rompimento da barragem. Esse valor será acrescido de 20% por membro dependente do núcleo familiar. A empresa vai também fornecer uma cesta básica, de R$ 338, conforme referência do Dieese, por família. A mineradora informou que já vem fornecendo cestas básicas a 252 famílias.

Quando houver o reassentamento definitivo, as famílias ainda terão mais três meses depois da entrega das chaves para fazer a mudança, garante o acordo. Mas, se alguma família não concordar em ser reassentada definitivamente, a mineradora ainda vai continuar pagando aluguel por até um ano. A Samarco concluiu a transferência de 271 famílias de hotéis para casas alugadas. Quatro preferiram continuar em hotéis e a hospedagem continua sendo custeada pela mineradora. A quem perdeu tudo na tragédia, mas que não quer ficar alojada em hotéis ou em casas alugadas e prefere ficar na casa de parentes, por exemplo, o acordo garante o recebimento mensal de R$ 1,2 mil, equivalente ao valor do aluguel pago. Esse pagamento é retroativo a 5 de novembro.

Segundo Zezinho, as famílias estão felizes por passar o Natal fora do hotel, mas “não totalmente”, ressalta. “A gente queria passar o Natal onde a gente estava. Mas, como ocorreu a tragédia, a gente tem que aceitar que é muito melhor passar em casa, mesmo que alugada, do que no hotel. Hotel é para a gente ficar dois ou três dias, mas não para morar”, comentou. “Que Deus abençoe e ilumine esse novo caminho para nós, que também ponha a sua benção em todo o povo brasileiro, que foi solidário e nos apoiou nesse momento tão difícil das nossas vidas”, agradeceu.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
600