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Justiça ordena e trecho de ferrovia interditado por prefeito é liberado no Espírito Santo

Prefeito de Baixo Guandu fechou passagem de nível com máquinas em protesto contra a falta de plano emergencial para conter danos da poluição do Rio Doce. Vale conseguiu reintegração de posse e trecho foi liberado na madrugada

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postado em 13/11/2015 10:48 / atualizado em 13/11/2015 11:33

Cristiane Silva

Foi liberado na madrugada desta sexta-feira o trecho da estrada de ferro Vitória a Minas, da empresa Vale, que havia sido bloqueado na tarde passada por ordem do prefeito de Baixo Gundu (ES), Neto Barros (PcdoB), em protesto contra a falta de plano emergencial para conter danos da poluição do Rio Doce causada pelo rompimento das barragens em Mariana, Região Central de Minas.

Segundo a assessoria de imprensa da Vale no Espírito Santo, a empresa conseguiu uma ação de reintegração de posse na Justiça para a liberação da ferrovia, e a ordem foi cumprida hoje. Os trens já circulam normalmente.

O prefeito de Baixo Guandu usou duas retroescavadeiras, uma pá mecânica e uma motoniveladora da administração municipal para fazer o bloqueio, que começou no fim da tarde de quinta-feira. Os equipamentos foram colocados na passagem de nível da ferrovia na cidade.

O protesto liderado pelo prefeito recebeu o apoio da população, ansiosa diante da falta de qualquer comunicado por parte da Samarco sobre um plano de emergência diante do risco de desabastecimento de água. A lama ainda não tomou conta das águas do Rio Doce no município, impedindo a captação de água, mas o temor acomete os moradores.

O prefeito Neto Barros foi procurado, mas não foi encontrado. Em mensagem no Facebook, o prefeito da cidade de 30 mil habitantes já havia detalhado o plano. "Comunicamos à Vale e à sociedade que a prefeitura colocará suas máquinas sobre os trilhos da estrada de ferro Vitória a Minas e paralisará o transporte de minério de ferro", escreveu. Barros afirma que a situação visa expor e a responsabilizar a empresa pelo "crime ambiental" cometido na região.

VALE E SAMARCO PROCURAM PREFEITO
Nesta sexta-feira, representantes da empresa e da Samarco procuraram o prefeito e eles devem se reunir ainda hoje. Pela manhã, eles visitaram uma obra da cidade, que está em andamento, para captação de água do Rio Guandu, para o caso do trecho do Rio Doce ser atingido pela lama.

A prefeitura explica que atualmente a captação de água do município é feita pelo Rio Doce. A mancha de lama está em Resplendor e já se aproxima da reserva da usina de Aimorés, na cidade vizinha a Baixo Guandu. Foi feita uma coleta de água na cidade e o resultado dos exames deve sair amanhã.

Até o momento, a captação do Rio Doce ocorre normalmente. Caso a obra de captação do Rio Guandu, que sofre com a seca, não fique pronta, já foi feita uma parceria com a cidade de Aimorés, que vai ceder o recurso do Rio Manhuaçu para o município. A água será levada em caminhos auto-tanque para ser tratada no Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Guandu, e distribuída pela população em caminhões-pipa.

Com informações de Landercy Hemerson e Rodrigo Melo
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Gerson
Gerson - 13 de Novembro às 12:42
A mesma eficiência do poder judiciário para liberar a ferrovia dos acionistas deveria ser tomada para bloquear as contas bancárias das empresas e acionistas envolvidos e colocar a disposição de um conselho administrativo formado por todos os representantes dos municípios afetados para a reparação imediata de todos os danos causados. Essa é a única forma de realmente superar este momento pois do contrário todas as ações ficarão emperradas pelos recursos judiciais impetrados pelos autores e seus representantes jurídicos que certamente já fecharam contratos advocatícios milionários.
 
Brízido
Brízido - 13 de Novembro às 11:40
A Vale tem uma quantidade imensa de engenheiros e causa espécie a falta de previsão de catástrofe da empresa. Qualquer barragem em qualquer tempo está sujeita a romper-se. Ainda bem que ela foi privatizada. A Petrobras não foi privatizada e deu no que deu.