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Chuvas insuficientes e falta de recuperação dos reservatórios levam à adoção de racionamento

Medidas drásticas como cortes no fornecimento de água e sobretaxa começam em maio para conter consumo

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postado em 10/03/2015 06:00 / atualizado em 10/03/2015 11:23

Mateus Parreiras , Márcia Maria Cruz /Estado de Minas

JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS

A sobretaxa ou sobretarifa na conta de água de quem gastar acima do consumo médio de 2014 e o racionamento começarão em maio na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As medidas drásticas foram anunciadas ontem pelo governo do estado depois da reunião da força-tarefa que culminou com a declaração do estado de escassez hídrica na Grande BH, que já vinha sendo avaliada desde janeiro, quando foi divulgada a necessidade de economia de 30% nos gastos domésticos, diante do nível baixo dos reservatórios. E foi exatamente a falta de recuperação dos mananciais, apesar das chuvas acima da média em fevereiro, principalmente da bacia do Rio Manso, que pesou na decisão de ontem. A 20 dias do término da estação das águas (outubro a março), as precipitações médias do período são as mais baixas das últimas três temporadas. Para especialistas, o agravamento da crise hídrica reforça a necessidade de contenção dos gastos.

De outubro de 2014 a 1º de março, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou média mensal de 129,1 milímetros de chuvas na Grande BH, o que representa 14,4% menos do que na temporada 2013/2014 (150,8 milímetros) e 16,7% menor que na 2012/2013. Com isso, esta estação chuvosa é a mais seca das últimas três temporadas, que em seu conjunto são consideradas as mais escassas dos últimos anos. Para ter uma ideia do vigor dessa estiagem, há um ano eram 137 municípios mineiros com decreto de situação de emergência na Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) por causa de chuva. Ontem, havia apenas 18, e outros 127 em estado crítico por causa da seca.

Castigados pela falta de chuva, consumo crescente e perdas que chegam a 40% na distribuição de água, os reservatórios do Sistema Paraopeba também atingiram um nível 54,5% menor do que na última estação chuvosa. O volume médio mensal do sistema foi de 33,6% da capacidade total de outubro de 2014 a 1º de março deste ano, enquanto na temporada anterior (2013/2014) era de 73,8%, segundo a Copasa. “Essa seria a nossa reserva. Terminada a estação chuvosa, não teremos mais precipitações significativas de abril em diante, ou seja, o abastecimento terá de ser feito com o que resta nos lençóis subterrâneos e nos reservatórios”, alerta o meteorologista do Climatempo, professor Ruibran dos Reis.

Entre as medidas anunciadas pela Copasa para impedir o colapso de abastecimento estão a sobretaxa para consumo superior à média do ano passado, multa para quem desperdiçar, rodízio de fornecimento e racionamento. Pela projeção do professor de engenharia hidráulica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luiz Rafael Palmier, essas medidas deveriam ser adotadas apenas pouco depois de abril, quando a seca se impuser. “Em janeiro, a Copasa fez estimativas de quanto deveria ser economizado (30%), mas sem saber quanto de chuva viria. Quando eliminamos a chuva desse modelo, fica mais fácil saber quanto resta de água nos reservatórios, qual o nível dos lençóis subterrâneos para recarga dos mananciais e quanto realmente se tem de reserva para atravessar a estiagem”, afirma.

SERRA AZUL É  O MAIS CRÍTICO

O sistema que se encontra mais esvaziado é o Serra Azul, em Juatuba, na região metropolitana, que se encontra com 9,6% de seu volume total, mas chegou a concentrar apenas 5,66% em janeiro deste ano. O manancial foi o que desde então recebeu maior volume de chuvas diretamente, chegando a 259,1 milímetros apenas em fevereiro. O pior é o Vargem das Flores, entre Betim e Contagem, que conta atualmente com 30% de volume e recebeu no mês passado 90,3 milímetros de precipitações. O outro reservatório que abastece o Sistema Paraopeba é o Rio Manso, em Brumadinho, que fechou ontem com volume de 43,1%. Ao todo, o complexo de abastecimento da Bacia do Rio Paraopeba estava ontem com 30,5%.

Seja como for, o conforto e a segurança que se tinha antes quanto ao regime de chuvas e a gestão dos reservatórios não se repetirão mais, segundo os especialistas. “Antes, tínhamos muitas sequências de chuva e um ou dois anos secos. Isso não afetava as captações superficiais porque os aquíferos estavam carregados e mantinham a vazão durante a seca. Agora, a água dessa reserva está se exaurindo”, diz o professor Luiz Palmier. “O regime de chuvas mudou com o aquecimento do planeta. Teremos de repensar tudo. Agora, não teremos mais chuvas bem distribuídas entre novembro e janeiro, mas dois meses muito intensos, capazes de causar muitos problemas, e o restante com uma seca mais vigorosa”, avalia o meteorologista Ruibran dos Reis.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Eduardo
Eduardo - 24de Março às 22:39
A Copasa não poderia perfurar poços artesianos para abastecer a população? Estudos mostram que 77% da água doce da Terra encontra-se nas geleiras, 2% nas lagoas e rios e 21% nos lençóis freáticos no subsolo. Porque não aproveitar toda esta água? Inviável economicamente? Alguém com conhecimento técnico saberia responder?
 
Eduardo
Eduardo - 24de Março às 22:38
Tem que multar é a Copasa que desperdiça 40% da água das pobres represas sem chuvas! Verdade ou Mentira? 30% é maior do que 40%? Kkkkkkkkkk
 
geraldo
geraldo - 10de Março às 13:34
acho que realmente temos que economizar agua, mas temos que ficar atendos porque esta decisão é de um governo PT que só pensa em arrecadar para criar cargos e indicar sindicalistas incompetentes.
 
Claudio
Claudio - 10de Março às 12:19
Me parece que esta foto é antiga. Acho que deveria haver uma fiscalização a favor da população para evitar abusos das concessionarias .
 
Tallys
Tallys - 10de Março às 11:42
E as grandes empresas ? E as mineradoras ? E os agricultores que fazem irrigação ? etc .... Sei que todos precisam da agua, da energia, que é fundamental para a operação e a economia, porem a redução e controle tem que ser pra todos. Alem disso, o que o governo pretende fazer pra melhorar a situação para os proximos anos ? Estao pensando nisso ? Vao recuperar nascentes, despoluir lagoas e represas assoreadas, fazer barragens; a Copasa vai tratar a agua e esgoto, diminuir os vazamentos; as empresas terao incentivos para investir no reaproveitamento de agua, etc...
 
Jose
Jose - 10de Março às 10:38
E o que estão fazendo para recuperar o nivel das chuvas??.... Nada. Cade a recuperação das matas ciliares na beira dos rios...? Onde estão os programas de proteção de mananciais...?? Passa-se nas margens do Rio São Francisco, pela BR 040 ou em Pirapora o que se ve nas margens é pasto.... Nada de matas ciliares... Este é o Brasil.... Com diz Boris Cassoy..... UMA VERGONHA.... Não temos homens publicos.... Apenas chupins nas tetas do erario publico....
 
Marcelo
Marcelo - 10de Março às 10:31
E quem vai multar a Copasa? Pois vejo todos os dias na tv e jornais, desperdício de água por causa de canos estourados que levam até 48 hs para serem consertados! Como sempre o governo coloca a responsabilidade apenas nas costas do cidadão e fingem que não fazem nada de errado! Copasa quer conscientizar a população? Então comece a dar o exemplo, pois o que temos visto é uma total incompetência sua e do estado!!!
 
Marcio
Marcio - 10de Março às 10:28
Uau, que altíssimo QI! Que demonstração de qualidade de serviço inigualável e exelente descrição do problema! Parabéns aos especialistas, diretores da COPASA e é claro os políticos! Agora que a seca se instalou de vez é que vcs vão pensar no que fazer! Isso foi digno de um sábio de alto nível. Principalmente com essa novidade de aquecimento global.. pegou de surpresa né? Continuem o bom trabalho! Continuem assim atualizadíssimos... Pensar no amanhã JAMAIS... O que interessa é viver o hoje! Certo?
 
Giovani
Giovani - 10de Março às 09:48
Absurdo é punir pessoas que como eu gastaram pouco, media de 13.000 m3 / mês economizando o ano inteiro, agora pagar sobre qualquer valor que consuma a mais. Economizar 1% onde já se consome pouco é quase impossível.
 
Jorge
Jorge - 10de Março às 09:45
E quem tem gato da COPASA e CEMIG ?? Vai pagar como?
 
márcio
márcio - 10de Março às 09:23
A Várzea da Flôres continua com nível baixo e a água podre. Não tem estação de tratamento de esgotos dos Bairros Icaivera, Tupã, Madeira, Penitnciária Nelson Hungria e outros. São esgotos entrando in natura na Represa e a Copasa não toma atitude. Fala-se que a Copasa tem ortoga de 1.000 litros por segundo, mais com certeza absoluta que se tira mais, pois não tem fiscalização, e a Copasa visa lucro, destruindo o meio ambiente .
 
Anderson
Anderson - 10de Março às 09:07
Concordo Conrado!!! Uma calça Jeans para ser confeccionada utiliza 11.00 litros de água, isso mesmo, Onze mil!!! Vamos poupar no banho e nas demais tarefas, mas as calças não podem para de serem fabricadas... Resumindo... O BRASIL NÃO É SÉRIO... Definitivamente!!!
 
JOSÉ
JOSÉ - 10de Março às 08:46
Enquanto isso não param de pipocar CP's(Comunicado da Presidência) nomeando acessores da presidencia e diretorias e pior um é acessor o outro é acessor especial, deve ser no minimo PHD em crise hidrica. As CP's já passaram de 20 e quem vai bancar estes salários? O usuário doméstico é claro. Porque não transformam o mineirão mum reservatório, afinal obra para estadio tem , enquanto a população paga o preço pela crise hidrica por falta de planejamento. Isso é uma vergonha!!!(Boris)
 
Altarimo
Altarimo - 10de Março às 08:24
Vamos todos participar, mas queremos ver obras de aumento da capacidade dos reservatórios, queremos ver providências para incentivos às novas construções sustentáveis, queremos ver providências ambientais para recuperações das nascentes e reflorestamentos. Aplicar multa é fácil, queremos mais, muito mais!
 
Joel
Joel - 10de Março às 08:21
Tá bom... Vão nos sobretaxar pelo aumento de consumo e ou desperdício... e o que será feito nas invasões de terrenos??? Em frente a minha casa tem uma (Invasão dandara) e o desperdício lá é geral... jogam água na rua para apagar poeira... os canos dos "gatos" estouram e ficam dias jorrando... há algo sendo feito para tal?.
 
Mario
Mario - 10de Março às 08:16
Pagamos pelos erros desses políticos incompetentes que não investem no setor. Qualquer chuvinha dá um escoamento de água muito grande. Basta construir reservatórios para captação e depois conduzi-la para os sistemas já existentes. É de lascar.
 
Barcelos
Barcelos - 10de Março às 08:08
A corda sempre arrebenta do lado mais fraco.
 
Barcelos
Barcelos - 10de Março às 08:08
A corda sempre arrebenda do lado mais fraco.
 
Guilherme
Guilherme - 10de Março às 07:54
Sobretaxa para o consumidor domiciliar é brincadeira....além de "pagar" pela falta da água, a população vai promover o aumento dos lucros dos acionistas. Não tem investimento, não tem água para o usuário, não tem solução, mas tem dindin no bolso da empresa.
 
Conrado
Conrado - 10de Março às 07:35
A economia deve existir sim, isso é fato, porém, o usuário doméstico é crucificado para que haja uma economia desproporcional em relação a quem realmente desequilibra a balança do volume de água utilizado. As grandes indústrias além de não sofrerem esse tipo de sansão, ainda utilizam um volume de 70% do abastecimento de água das companhias como a COPASA. É um absurdo somente o consumidor doméstico ser punido, já que a economia deveria acontecer principalmente por quem usa mais. ABSURDO!