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Carnaval nas cidades históricas terá medidas preventivas Objetivo é garantir segurança de moradores e turistas

Gustavo Werneck

Flávia Ayer

Publicação: 18/01/2014 06:00 Atualização: 18/01/2014 07:11

Ordem no reino de Momo. A 40 dias do carnaval, municípios mineiros com tradição na folia adotam medidas preventivas para evitar tumultos, garantir mais segurança e criar um clima de tranquilidade para moradores e visitantes. Em Sabará, na Grande BH, a novidade será a instalação de 18 catracas eletrônicas, 12 no Centro Histórico (praças Melo Viana e Santa Rita e ruas Dom Pedro II e do Carmo), e seis no Largo do Barão, onde fica a Passarela do Samba, e no Largo do Marquês. A cidade de arquitetura colonial chega a receber entre 30 mil e 40 mil pessoas por dia.

Segundo o secretário interino de Turismo e Cultura, Kiko Vieira, todos os foliões que forem se divertir nas áreas fechadas e equipadas com “passa-um” serão filmados individualmente por sistema de câmeras. “Essa medida facilitará o trabalho da Polícia Militar, caso seja necessário identificar alguém”, disse o secretário, lembrando que as restrições, adotadas nos últimos anos surtiram efeito. “No ano passado, houve apenas duas ocorrências com prisões.” Assim como em 2013, moradores de outras cidades terão que pagar para brincar em Sabará – o valor do ingresso foi de R$ 20 e o atual será decidido semana que vem –, enquanto basta aos moradores da cidade apresentarem comprovante de residência.

O Ministério Público, por meio da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico/MG(CPCC), está divulgando dicas para orientar as 297 promotorias no estado e as prefeituras. Para o coordenador do CPPC, Marcos Paulo de Souza Miranda, “é preciso que os municípios adotem cuidados especiais para evitar danos ao patrimônio cultural e assegurar a integridade física dos foliões. Esses riscos podem ser reduzidos com o cumprimento de regras básicas de segurança e fiscalização", disse.

Em Ouro Preto, na Região Central, a determinação da Justiça Federal é para que as repúblicas, que sempre promoveram festas durante o chamado tríduo momesco, não recebam turistas que paguem pela hospedagem nem vendam pacotes. O estudante de direito Rômulo César de Souza Freitas, diretor jurídico da Associação das Repúblicas Federais de Ouro Preto (Refop), que congrega 59 unidades, informou, ontem, que a decisão será acatada. “Haverá um impacto na economia, além de impedir a atividade de muitas mulheres que trabalham como arrumadeiras”, disse.

A Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) foi notificada na semana passada e informou que a venda dos pacotes foi interrompida. A instituição entrou em contato com a Advocacia Geral da União (AGU) e enviou documento explicando como é o gerenciamento das contas. Desde o carnaval de 2011, os estudantes têm de criar uma conta bancária (exclusiva para o dinheiro do carnaval), sendo todo o trâmite auditado por uma comissão da universidade. A ação contra a universidade foi proposta pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais/Regional Circuito do Ouro, que alegou concorrência desleal das repúblicas federais. A Advocacia Geral da União informou que já entrou com recurso para cassar a liminar.

XIXI NA RUA Tolerância zero na terra de Xica da Silva e Juscelino Kubitschek. Urinar na rua e deixar o som alto nos carros custarão multa ao infrator. A Prefeitura de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, concluiu o decreto com determinações para preservar o patrimônio e evitar transtornos aos moradores. Quem for flagrado urinando em espaços públicos será levado para a delegacia por policiais militares, guardas municipais ou fiscais do Executivo e terá de desembolsar entre R$ 600 e R$ 1 mil – o valor exato será estipulado no decreto municipal.

E quem perturbar o sossego dos moradores fora do limite da festa também será autuado. Som alto no carro dará o direito às autoridades de rebocá-lo, com devolução depois da folia. A organização do carnaval de Diamantina informou que a segurança também será reforçada. Está prevista a contratação do dobro do número de vigias particulares que atuaram no evento em 2013.

Em Mariana, na Região Central, o carnaval com o tema “Futebol e folia” terá caráter familiar no Centro Histórico, com marchinhas e sambas, segundo o secretário municipal de Cultura e Turismo, Belfonso Antônio Ferreira. O objetivo é preservar os monumentos históricos e, por isso, os grandes shows, com presença maciça de jovens, ocorrerão no espaço Mina Del Rei, área mais afastada do Centro histórico.

BH FORMA FORÇA-TAREFA Na expectativa de ter um milhão de foliões nas ruas, dobro de público em relação ao ano passado, a Prefeitura de Belo Horizonte cria estratégias para garantir a alegria e diversão na festa momesca. Até o fim do mês, será publicado decreto para legalizar a atuação de ambulantes nesse período. A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos também está montando força-tarefa para organizar o trânsito e fiscalizar o comércio ilegal, além de limpar os locais de concentração dos foliões.

O poder público está mapeamento os locais onde passarão blocos de rua e ocorrerão shows e desfiles. O levantamento completo das equipes e estrutura disponível depende ainda do encerramento do cadastro dos blocos de rua, na segunda-feira. O balanço parcial da sexta-feira era de 84 grupos cadastrados e a expectativa é chegar até 200. Entre as novidades deste ano, está o retorno dos desfiles das escolas de samba e blocos caricatos para a Avenida Afonso Pena.

E hoje é dia de eleição da corte momesca em BH. Quarenta e um concorrentes disputam os títulos de rei, rainha e princesa do carnaval. A corte vai comandar a programação oficial. A eleição será no Music Hall, na Praça Floriano Peixoto, na Avenida do Contorno, Bairro Santa Efigênia, na Região Leste. A retirada dos ingressos será no Centro de Atendimento ao Turista do Mercado das Flores (Avenida Afonso Pena, 1.055), a partir das 9h. Os ingressos são limitados a dois por pessoa. (colaborou Tiago de Holanda)


ORDEM E SOSSEGO

Medidas previstas para cidades históricas

SABARÁ


» Instalação de 18 catracas eletrônicas (Centro Histórico e largos do Barão e do Marquês) e câmeras para identificação individual. Visitantes terão que pagar ingresso

OURO PRETO

» Decisão da Justiça Federal proíbe repúblicas federais de hospedar turistas, mediante pagamento, e de vender pacotes

DIAMANTINA

» Quem for flagrado urinando em vias públicas pagará multa de até R$ 1 mil . Carro com som alto será rebocado

MARIANA


» No Centro Histórico, só carnaval com marcinhas, sambas enredos e músicas mais tranquilas. Os grandes shows serão no espaço Mina Del Rei, área mais afastada do Centro

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Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: Teo Fernandes
Mais certo seria as prefeituras não promoverem carnavais nessas cidades. Não traz nenhum benefício para elas, pelo contrário, só gastos e problemas. | Denuncie |

Autor: Paulo Barbosa
Medidas preventivas nas cidades históricas deveriam se tornar permanentes, pois o patrimônio arquitetônico, que a fazem atração turística local é praticamente ameaçado há todo o tempo. Já passou da hora, destas cidades terem um Plano Diretor efetivo com medidas preventivas a serem implantadas. | Denuncie |

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