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Peixes, derivados de leite de búfala e fitoterápicos são fraudados em Minas

Pesquisas da UFMG apontam que peixes, lácteos derivados de leite de búfala e fitoterápicos comercializados em Minas sofrem fraudes, que colocam em risco a saúde dos consumidores

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postado em 06/03/2013 07:52 / atualizado em 06/03/2013 07:55

Luciane Evans /

Leandro Couri/EM/D.A Press

Uma contradição perigosa está na mesa dos mineiros: há riscos de saúde quando se busca uma alimentação saudável em supermercados e restaurantes de Minas Gerais. Isso porque os consumidores estão sendo enganados justamente na hora de consumir peixes, produtos derivados do leite de búfala e até fitoterápicos, medicamentos à base de plantas. A denúncia, que promete mexer com os bons hábitos de vida em todo o Brasil, vem de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que analisam, desde 2010, os alimentos adulterados vendidos aqui e em outros estados. As análises assustam: das 259 amostras de pescados, 21% não são o que o comerciante ou os rótulos dizem. Em 124 amostras de lácteos rotulados como de origem bubalina, 7% continham leite de vaca e, em alguns casos, com presença de até 100%. E mais: das 147 amostras de fitoterápicos analisados, 70% não eram da espécie declarada.

A exemplo do que ocorre na Europa, com o escândalo da substituição da carne de cavalo em produtos que deveriam conter carne bovina, em Minas também vale o jargão popular de "comprar gato por lebre" . De acordo com os estudos feitos dentro do laboratório de genética animal da Escola de Veterinária da UFMG, há muitas fraudes nos alimentos vendidos aqui, seja por desconhecimento ou por malandragem dos próprios produtores e comerciantes, como comenta Marcela Drummond, presidente da empresa Myleus Biotechnology, que faz parte da equipe de pesquisa e nasceu dentro da universidade. "Há a lesão ao consumidor de comprar algo e ser enganado, e o risco à saúde, uma vez que muitas pessoas têm alergia a um tipo de peixe ou a leite de vaca", aponta Marcela.

As pesquisas contemplaram restaurantes, supermercados e mercados, tradicionais ou não. Além de Minas, outros estados foram alvo dos estudos (São Paulo, Rio, Espírito Santo e a Região Sul do Brasil). O mais recente, defendido este mês, é a dissertação de mestrado em zootecnia, de Danilo Alves Pimenta. Ele analisou várias espécies de peixes, como bacalhau, atum, merluza, panga, salmão, traíra e tilápia. "Comecei essa pesquisa em 2010. Saí coletando amostras desses pescados em restaurantes sel-service, fast-food, japonês e até supermercados. Foram 259 amostras, sendo que 21% eram de espécies diferentes do que estava declarado no rótulo ou no menu. Em geral, eles foram substituídos por peixes mais baratos. Na lista dos que mais sofrem fraude estão o merluza e o panga", revela Danilo, preocupado com o cenário.

Prestes a ser defendida, a dissertação de mestrado de Lissandra Souza Dalsecco em genética pela Escola de Veterinária da UFMG é ainda mais preocupante. Isso porque ela analisou 124 amostras de lácteos rotulados como de búfala, comercializados em Minas, Rio de Janeiro e São Paulo. "Foram queijos, leites, iogurtes e doces de leite. A Associação Brasileira de Criadores de Búfalo aceitam até 10% de presença de leite de vaca nesses produtos. No entanto, encontramos em 7% deles muito mais do que 10% de leite de vaca. Havia uma contaminação de 12% a 25%, em alguns casos, de até 100%. Ou seja, um queijo era vendido como de búfala, mas não era. A presença do leite de vaca em baixa quantidade pode não ser intencional, mas quando vemos que há essa alta, acredito que tenha produtor agindo de má-fé", critica.

Para os dois casos, especialistas pedem atenção. Segundo avalia a nutricionista e consultora do Programa Alimento Seguro Tatiana Miranda, as fraudes são um risco para a saúde. "As pessoas que têm intolerância a algum componente do leite de vaca, por exemplo, ao escolher o de búfala contaminado pode ter danos na saúde, como a síndrome do intestino irritável ou desenvolver distúrbios gastrointestinais", preocupa-se, dizendo ainda se tratar de uma enganação moral ao cliente.

O nutrólogo Enio Cardillo Vieira lembra que o peixe marinho contém um componente importante para a saúde, o Ômega 3, que protege de muitas doenças. "A substituição de uma espécie dessa por um pescado de água doce é uma enganação ao consumidor, que não terá o benefício na alimentação que espera", observa.

FITOTERÁPICOS

Outro produto alvo de fraude sãos os fitoterápicos, como aponta a tese de doutorado em genética de Rafael Melo Palhares. Foram 147 amostras coletadas em farmácias, drogarias e mercados de Belo Horizonte e também do Sul do Brasil. Quando se trabalha com medicamentos com base em plantas, existe uma lista do Ministério da Saúde que aponta quais espécies podem ser elaboradas para a produção da medicação no país. Cada tipo é recomendado para um mal, que pode ser estomacal, nervosismo, ansiedade, entre outros. "Verificamos que 70% dos fitoterápicos comercializados são de outras espécies da declarada no rótulo, muitas nem aprovadas pelo ministério. É o caso, por exemplo, do Passiflora incarnata, indicado como calmante. Havia nas amostras o gênero Passiflora, mas não era da espécie incarnata. Em outros casos, o princípio ativo que interessa no fitoterápico não existia. E tem sido utilizado espécies que não têm comprovação científica para o uso."

Rafael acredita que isso pode ser resultado da incapacidade de identificar as espécies. Mas para o diretor do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais e vice-presidente da Federação Nacional de Farmacêuticos, Rilke Novato, a informação é preocupante. "Dependendo do componente de um fitoterápico há reações adversas. Uma fraude pode trazer alguns comprometimentos e efeitos colaterais graves para um paciente. Dependendo da variação da espécie, há uma ação diferente, como, por exemplo, uma liberação ou absolvição mais rápida pelo fígado", diz. Diante do estudo, ele diz que a terapia pode ser prejudicada. "Traz um prejuízo imenso para a saúde da pessoa, uma vez que uma ação do medicamento pode se tornar menos eficaz", reclama.

TÉCNICA

As pesquisas só puderam ser feitas, de acordo com os pesquisadores, graças à uma nova metodologia de análise que vem sendo usada no laboratório de genética animal da Escola de Veterinária da UFMG. Trata-se da técnica de DNA Barcode, uma espécie de método que funciona como um código de barras molecular para identificar espécies. "Nos Estados Unidos essa técnica já é exigida para ser aplicada no comércio de pescados. Na Europa, depois do escândalo da carne de cavalo, a comunidade europeia lançou nota apontando interesse em se tornar obrigatório o método. No Brasil, ele ainda está limitado na área acadêmica. É uma metodologia eficaz, que poderia ser aplicada em larga escala para melhorar a autenticidade desses produtos", defende Rafael Palhares. Ele diz que o método é qualitativo, "detecta a presença ou não da espécie em análise". Os estudos feitos são parte de uma cooperação entre diversas instituições: a empresa Myleus, o Laboratório de Genética da Escola de Veterinária da UFMG, o INCT-IGSPB (instituto financiado pela Fapemig e CNPq), a Faculdade de Farmácia da UFMG e o Instituto René Rachou (Fiocruz).

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Si
Si - 10 de Junho às 13:49
Vale ressaltar que o Ministério da Saúde não elabora nenhuma lista de espécies que podem ser comercializadas como fitoterápicos, este controle é todo feito pela ANVISA, que concede registro ao produtos.Infelizmente existem muitos produtos no mercado sem registro na ANVISA< vale a fiscalização.
 
Mario
Mario - 06de Março às 14:52
Parabéns aos pesquisadores da UFMG.Eles não devem receber nem a metade dos salários que um fiscal do SIF recebe!!Algo em torno de 20.000!
 
Mario
Mario - 06de Março às 14:50
Há uns tempos atrás eu comercializava pescado.Vendia Badejo, p.ex. Fui a um restaurante conhecido e o dono disse que usava o "Abadejo" como badejo.Dizia ele que era só mexer nos temperos que ficava ótimo! Mas no cardápio era citado Badejo e com preço dele(o Abadejo era infinitamente mais barato.
 
ricardo
ricardo - 06de Março às 13:22
Ou seja, o Ministério da Saúde e seu carimbo NÃO VALEM NADA. Estamos perdidos!!!
 
Idailson
Idailson - 06de Março às 13:07
Eu gostaria de ver publicado analises dos produtos do macdonald . o povo brasileiro precisa de ter mais informacoes dos orgaos publicos sobre os produtos que sao consumido em larga escala ...no Brasil de hoje .
 
Idailson
Idailson - 06de Março às 12:46
Eu gostaria de ver publicado uma analise dos produtos macdonald como do hamburguer por exemplo , o povo brasileiro merece mais informacao tecnica cientifica sobre os produtos que usamos dia a dia .
 
Gian
Gian - 06de Março às 12:46
Quem não sabe que as "bacalhoadas" dos restaurantes são feitas com Merluza? Quem não sabe que os peixes leites e carnes são fraudados? Só o SIF e a Anvisa. No frango ou peixe congelado há até 50% de água. Na carne à vácuo há até 25% de água e até 30% de "pelancas". A IMPUNIDADE gera bandidagem.
 
rafael
rafael - 06de Março às 11:33
Esta passando da hora de ter um controle de natalidade pra equilibrar o mundo que ja começa demonstrar que nao consegue produzir comida suficiente pra todos,principalmente nas familias de 5 filhos ou que n consegue sustentar 1 ,isso tudo começa com bolsa familia que insentiva a crianças.
 
Geraldo
Geraldo - 06de Março às 11:32
Que tal estes 'pesquisadores' analisarem tudo o que se consome... De certo, muitos produtos não seriam nem mesmo exibidos nas prateleiras! É o 'capitalismo' desenfreado, passando por cima de tudo e de todos! Também... querer o quê, com esses 'políticos' que temos???
 
luiz
luiz - 06de Março às 10:51
Por que não dão "nomes aos bois" para que a população fique sabendo quais produtos (ou marcas) estão sendo fraudados?
 
Adriano
Adriano - 06de Março às 10:46
nas cidades as margens do rio são francisco é muito comum essas fraudes com porção de peixes, peixes mais nobres como o dourado,surubim. é comum eles venderem porção de outros peixes dizendo que que é surubim ou dourado. isso acontece nos melhores restaurantes, que falta de respeito com o povo.
 
Avelino
Avelino - 06de Março às 10:34
Na China existe hamburger até de papelão reciclado. Aqui o serviço de ispeção do Ministério da Agricultura só serve para cabide de empregos.
 
Teo
Teo - 06de Março às 10:07
Para matar a fome de uma população mundial crescendo sem controle, tem-se que comer de tudo. No futuro, o alimento será artigo de luxo.
 
Mario
Mario - 06de Março às 09:56
Onde entram o Ministerio da Agricultura, o da Pesca e o laboratorio agropecuário?????
 
SERGIO
SERGIO - 06de Março às 08:27
Os empresários no mundo todo,n são no curral-Brasil,estão sedentos por lucros e passam em cima de qualquer coisa pra obtê-lo,sem pensar q o prejuízo é muito maior q o lucro em casos como esses.É carne de cavalo onde deveria ter é bovino,como na Europa (aqui tbm deve ser assim),e por aí vai a sujeira.
 
SERGIO
SERGIO - 06de Março às 08:25
Está difícil ser cidadão consumidor nesse curral eleitoral chamado Brasil,pois todo lado tem golpe.A Parmalat,q adulterava seu leite c produtos tóxicos à saúde humana,até hoje vende seus leitinhos,contaminados ou n.A questão é q há um descontrole total e toda parte de produção deveria ser fiscalizada