Dnit anuncia edital para duplicar BR-381, a Rodovia da Morte

Licitação será aberta em setembro, com previsão de que as obras sejam iniciadas no primeiro semestre de 2013

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postado em 10/08/2012 06:00 / atualizado em 10/08/2012 06:43

Valquiria Lopes

Paulo Filgueiras/EM/D.A Press - 3/8/12


Depois de três anúncios frustrados em apenas dois anos, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) se arrisca em marcar uma data para o projeto de duplicação da BR–381 sair do papel. De acordo com o superintendente do órgão, José Maria da Cunha, o edital para contratação da obra será lançado em setembro. A previsão é que as obras no trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, comecem em março de 2013. Com o novo anúncio, o órgão admite que apenas oito dos 10 lotes previstos no projeto terão obra contratada, o que significa a duplicação do traçado existente de 311 quilômetros. Já os lotes nove e 10, que correspondem a uma variante de 45 quilômetros, entre São Gonçalo do Rio Abaixo e Nova Era, ficam fora do pacote. O trecho que vai desviar a BR-381 de João Monlevade, no Vale do Aço, seria uma alternativa para reduzir melhorar o fluxo de veículos, mas não tem sequer projeto ou levantamento de impactos ambientais.

“O Dnit está concluindo o termo de referência que orienta o processo licitatório e em aproximadamente 30 dias deverá dar publicidade ao edital. A partir daí as empresas podem apresentar suas propostas”, afirmou o superintendente. Uma novidade para a concorrência pública, segundo ele, é que o certame ocorra nos mesmos moldes dos projetos da Copa do Mundo, que tiveram tramitação mais célere. “O processo será mais expresso, dentro de uma modalidade descentralizada em que todas as etapas, que geralmente duravam 180, 240 dias, possam chegar a 90 dias no máximo”, disse, garantindo estar animado com a execução da obra.

Sem arriscar o orçamento total dos serviços, Cunha afirma que a duplicação dos oito lotes terá prazo de execução de dois a três anos. “Aquela é uma região muito movimentada. Não podemos causar transtornos para os motoristas nem prejudicar o uso da rodovia”, informou.

Sobre a duplicação de outros rodovias importantes em Minas, como a BR–040 nos sentidos Belo Horizonte/Rio de Janeiro e Belo Horizonte/Brasília, o superintendente afirmou que estas obras vão ficar à cargo da iniciativa privada. “A 040 está em processo de concessão. A expectativa é que até o início de 2013 o leilão seja feito. Temos contratos em vigência para obras de restauração do pavimento existente”, garantiu. O contrato de concessão está prevista para 25 anos.

Ver para crer

O engenheiro civil e mestre na área de transportes Silvestre de Andrade Puty Filho, recebeu com satisfação a notícia de duplicação da BR-381, mas destacou que prefere ver a obra em curso para comemorar. “Vários anúncios já foram feitos. Tomara que desta vez o processo seja de fato retomado, já que esta é certamente a obra rodoviária mais importante do estado”, disse. Sobre a exclusão da variante, o especialista lamentou: “Infelizmente, duvido que um novo investimento público seja feito, pelo menos a curto prazo, depois que a duplicação for concluída”.

Radares a pleno vapor

Desde segunda-feira, os 213radares instalados em 15 rodovias federais de Minas estão multando os motoristas infratores. Os equipamentos fazem parte dos 750 redutores de velocidade instalados pelo Dnit em todo o país. Do total destinado a Minas, 41 estão na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A instalação dos equipamentos começou a ser feita em fevereiro do ano passado, mas recursos impetrados pelas empresas que participaram da concorrência para a prestação do serviço fizeram com que o funcionamento sofresse atraso de um ano e meio. Até o fim de 2012, a previsão é quemais 208 aparelhos sejam implantados na malha viária que corta Minas, aumentando para 421 o número de radares no estado. O contrato tem custo de operação e instalação de R$ 780 milhões no Brasil e de R$ 120 milhões em Minas, unidade da federação que recebeu o maior número de equipamentos.

Obras em meio às chuvas

O pacote de obras que prevê reparos dos estragos causados pela chuva no túnel do Shopping Ponteio, na BR–356, já começa com previsão de se estender pela estação chuvosa desse ano em algumas áreas. No trecho do centro de compras, onde parte do muro de contenção e parte da passarela cederam, a previsão é que as obras comecem em 15 dias, indo até outubro. Mas em outras intervenções em pontos de erosões e melhorias no viaduto próximo ao BH Shopping a previsão é de que as máquinas trabalhem até dezembro, prazo que pode ser estendido a depender da complexidade dos serviços. Os projetos estão orçados em R$ 3,5 milhões, sendo que o trecho do Ponteio, fechado desde 15 de dezembro, tem valor estimado em R$ 700 mil.

“As obras no túnel do Ponteio se encaixam em um cronograma de 60 dias. Já as demais têm prazo total de 120 dias, que pode se maior. Se não conseguirmos finalizar no menor prazo, antes das fortes chuvas, as máquinas da empresa vencedora da licitação vão se manter mobilizadas para resolver qualquer problema”, afirmou o superintendente do Dnit, José Maria da Cunha. Na avaliação do engenheiro civil e mestre em Engenharia de Transportes, Silvestre Andrade Puty Filho, o avanço da obra durante o período chuvoso é consequência do processo burocrático para licitação da obra.

Segundo Cunha, a concorrência pública normal deveria ter sido cumprida em 120 dias, prazo que se esgotou no primeiro semestre, mas houve problemas com documentação de empresas que tiveram que ser resolvidos.