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Estado de Minas

Belo Horizonte tem pelo menos 156 escolas infantis funcionando sem autorização

Número equivale a 15% das legalizadas. Creches clandestinas podem prejudicar desenvolvimento das crianças


postado em 13/06/2012 06:00 / atualizado em 13/06/2012 07:12

(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Estudos mostram que estímulos pedagógicos e sensoriais durante a primeira infância – até 5 anos – proporcionam às crianças mais facilidade para a alfabetização e melhor desempenho ao longo da vida escolar. Apesar de sua importância, as escolas de educação infantil não são fiscalizadas como deveriam e muitas vezes funcionam na clandestinidade, sem qualquer controle dos órgãos públicos. Segundo o Conselho Municipal de Educação de Belo Horizonte, pelo menos 156 creches funcionam sem autorização da Secretaria Municipal de Educação (Smed), o que corresponde a 15% das 1.011 escolas públicas e privadas que funcionam legalmente.

“Esse número com certeza é maior, porque essas são creches e escolas foram denunciadas à Smed, mas muitas outras funcionam sem o nosso conhecimento. Em Venda Nova, temos 70 autorizadas e um monte sem autorização”, admite a presidente do Conselho Municipal de Educação e gerente de Autorização de Funcionamento Escolar da Smed, Áurea Noá. Para aumentar o controle sobre essas instituições, foi editada uma resolução que amplia o poder de atuação do Conselho Municipal de Educação e estabelece parâmetros mais rígidos para as escolas de educação infantil.

Contudo, as novas regras dificilmente vão melhorar a qualidade da educação se não houver fiscalização. Esse é o principal gargalo. A Smed tem apenas nove fiscais – um por regional – para fiscalizar mais de mil instituições.

Uma das escolas que se beneficia da morosidade oficial fica na Região Leste de Belo Horizonte. Sem autorização para funcionar desde fevereiro, a escola mantém 55 crianças em dois turnos.

A última visita dos fiscais da prefeitura ocorreu no fim de 2008, quando foi estabelecido um plano de metas com adequações que deveriam ser feitas no prazo de dois anos e meio. Uma das metas – a contratação de professores qualificados – deveria ser atendida até fevereiro de 2009, mas, três anos depois, nenhum fiscal voltou ao local para checar se as adequações foram feitas.

“Concordo que é um prazo longo, mas dependemos de uma estrutura, de equipe para supervisionar essas mil instituições. Tenho mais de 190 instituições que solicitaram a visita. Sem contar as que têm planos de metas e que precisariam ser fiscalizadas. Todo dia há metas para fiscalizar, mas não tenho como fazer isso”, admite Áurea.

Problemas em série


Salas sem ventilação, banheiros improvisados, escadas perigosas e um pátio que mais parece um local de confinamento. De um lado, uma piscina de plástico que acumula água, do outro, três brinquedos que ocupam todo o espaço. Esse é o cenário que os fiscais encontrariam em uma creche na Região Leste, instalada numa casa improvisada para receber salas de aula.

Há 14 anos, Joana (nome fictício) atende  crianças. Meninos e meninas entre 2 e 5 anos se dividem entre a sala de aula e o pequeno pátio de cimento, onde não cabem mais de 10 alunos por vez. Nos banheiros, vasos sanitários de adulto com tábuas infantis presas com fita adesiva se soltando. Lixos cheios e pias bambas.

Quanto ao projeto pedagógico, ela explica que “espalha uns brinquedos, tem a piscina de bolinha e caixas de sucata” para as crianças se divertirem. As atividades em sala são poucas, porque, segundo ela, criança prefere brincar. “A gente prioriza a brincadeira e as atividades no pátio. Na sala é mais recorte, rasgadura, música, gosto muito de trabalhar o concreto. Diferenciar brinquedos grandes de pequenos, essas coisas”, conta.

Joana diz que as professoras da creche têm curso de magistério ou superior e garante que ela mesma faz faculdade de pedagogia a distância. Ressalta que uma pedagoga formada vai à escola uma vez por semana. “É ela quem assina meus projetos pedagógicos”, revela.

Quando questionada sobre a falta de autorização para funcionamento, ela põe a culpa na prefeitura. “Estou com a licença vencida, mas meus documentos estão na Smed. Eles têm de vir olhar o espaço para liberar o alvará. Antigamente, eu ficava preocupada, mas hoje conheço o sistema deles. Se fosse abrir as portas da escola hoje, não sei se animaria. É muito burocracia”, diz. A escola, entretanto, só deverá ser visitada no segundo semestre, conforme estimativa da Smed, já que o pedido de renovação da licença foi feito com atraso de sete meses e hoje 90 pedidos de vistoria estão na frente.


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