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Estado de Minas

UFMG refaz cálculo de bônus para processo seletivo

Universidade anuncia que irá excluir fórmula matemática sobre nota de candidatos e modifica valor do benefício na primeira etapa do vestibular para alunos de escolas públicas e negros


postado em 05/05/2012 06:00 / atualizado em 05/05/2012 07:12

 Gabriela dos Santos Marques, de 17, considera que a alteração nas regras torna o processo mais claro(foto: Cristina Horta/EM/D.A.Press)
Gabriela dos Santos Marques, de 17, considera que a alteração nas regras torna o processo mais claro (foto: Cristina Horta/EM/D.A.Press)
A sombria fórmula do polinômio, usada para transposição das notas do Enem no vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), vai deixar de assustar os candidatos a uma vaga na instituição. Ontem, a pró-reitora de Graduação da unidade, Antônia Aranha, apresentou um novo cálculo que exclui a fórmula matemática e altera os valores dos bônus na primeira etapa para alunos provenientes de escolas públicas, negros e pardos. O benefício de 10% concedido sobre a nota final de estudantes que cursaram os sete últimos anos no ensino público passa a ser de 5%, enquanto os 15% a que alunos de escolas públicas e afrodescendentes têm direito serão reduzidos para 7,5%. Os valores, no entanto, serão os mesmos na segunda etapa (10% e 15%). As novas regras passam a valer a partir do vestibular 2013. Apesar de haver corte de 50% nos índices do bônus, as mudanças não alteram o total de alunos bonista que ingressam na UFMG, que gira em torno de um terço do universo total de alunos.

“Fizemos uma adequação sem mudar a política de inclusão da UFMG, prevista em resolução de 2008, quando a adotamos o sistema de bônus. Com a nova fórmula vamos alcançar o que se pretende, que é ter um terço de alunos com bônus. Pelos cálculos, serão de 33,4% de alunos com bônus”, explicou a pró-reitora.

A extinção do uso do polinômio, conforme a professora, levou em consideração a polêmica criada pela adoção da fórmula em 2011, quando a universidade adotou o Enem como uma das formas de ingresso na universidade. “Tínhamos consciência de que o polinômio era uma fórmula complexa e que nem todos os alunos consegueriam calcular o valor de sua nota na escala da UFMG. Mas ele foi usado de forma pontual e foi necessário para evitar um super dimensionamento do efeito do bônus quando considerada a nota do Enem. Com isso, evitamos ainda que alunos da escola pública conseguissem galgar mais posições para além do um terço previsto em 2008”, disse.

A mudança no cálculo é sinônimo de alívio entre os candidatos, já que em edições anteriores muitos precisaram recorrer à Justiça pedindo revisão de suas notas. A estudante do 3º ano no Colégio Bernoulli, Gabriela dos Santos Marques, de 17 anos, afirma que concorda com o novo modelo, tendo em vista que é mais claro e tem o mesmo efeito prático de inclusão. Candidata a uma vaga no curso de medicina, ela é a favor do sistema de bônus, mesmo sendo oriunda da escola privada. Seu colega de escola, Renann Matos Paolinelli, de 17, confirma a posição de Gabriela e diz ainda que o fim do polinômio pode interferir positivamente no estado emocional do aluno no processo seletivo. “Sabendo como será feito o cálculo da nota, poderemos ir mais tranquilos para o exame”. Renann ainda não se decidiu sobre a escolha do curso que vai tentar na UFMG, mas sabe que será na área de humanas.

Antônia Aranha afirma ainda que a mudança só foi possível porque 2012 foi a data estipulada na resolução de 2008 para que a política afirmativa fosse reavaliada. “Como estava previsto que este ano poderíamos rever os percentuais dos valores de bônus, julgamos que este seria o melhor momento”, disse. Outro fator que impulsionou a retirada da fórmula para transposição das notas do Enem, conforme a pró-reitora, são as diversas mudanças que o exame vem sofrendo. “São alterações que poderiam complicar ainda mais os cálculos matemáticos e dificultar o entendimento dos vestibulandos sobre a transposição das notas do exame para as notas da UFMG”, afirmou. Como exemplo do nevoeiro que a universidade poderia encontrar pela frente, ela apontou a dificuldade em usar o polinômio com as mudanças anunciadas peloMinistério da Educação (MEC), que prevê a aplicação de duas edições do Enem. “Qual nota deveríamos usar afinal?”, ponderou.

Nnovo cálculo

Para que os candidatos ao vestibular 2013 se familiarizem com o novo cálculo, a coordenadora da Comissão Permanente do Vestibular (Copeve), Vera Resende, explica o caminho a seguir. As notas da primeira etapa serão computadas em um total de 100 pontos, divididos entre as quatro provas do Enem. Então será feito um cálculo individual para cada prova que valerá 25 pontos. “O calculo é feito assim: A nota do aluno na UFMG será igual à nota que ele tirou no Enem dividida sobre o máximo daquela área e multiplicado por 25”, disse. Ela dá como exemplo a nota de um candidato que tenha tirado 800 pontos em linguagem. “Suponha que 800 seja a nota máxima. Então divide-se a nota do aluno (800) pela nota máxima (800), que é igual a um. Depois multiplica por 25 que é o valor de cada prova. O resultado é 25. O mesmo deve ser feito com matemática, humanas e natureza”. Somando as quatro áreas, ele saberá quanto conseguiu dentro do total de 100 pontos.


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