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Artistas mostram criatividade em Festival Internacional de Escultura em Pedra

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postado em 09/01/2012 06:31

Gustavo Werneck

 

A arte derruba as barreiras da língua, integra comunidades e favorece o turismo. Em Coronel Xavier Chaves, na Região do Campo das Vertentes, a 174 quilômetros de Belo Horizonte, escultores da Bulgária, Ucrânia, Espanha, Portugal e da própria cidade já estão a postos transformando blocos de granito, gnaisse e pedra-sabão em talento e criatividade. Eles participam do 2º Festival Internacional de Escultura em Pedra, que segue até dia 29 com a presença dos artistas europeus Agnessa Ivanova Petrova, Liliya Pobornikova, Petro Matl, Maribel Sanchez e Vitor Reis e locais, a exemplo de Francisco de Sales Maia.

Morador de Caldas da Rainha, que fica a 95 quilômetros de Lisboa, o escultor Vitor Reis, de 37 anos, está entusiasmado com a possibilidade de trabalhar na cidade. “Já estive em outros países, mas é a primeira vez que atuo no Brasil. Vejo o festival como ótima oportunidade para mostrar nossa arte ao público e estimular os visitantes”, afirma Vitor, natural de Angola e residente em Portugal desde criança. Caldas da Rainha promove festival similar, bienal – o Simpósio Internacional de Escultura em Pedra (Simppetra) –, desde a década de 1970, e se tornou referência internacional no setor, servindo de espelho para Coronel Xavier Chaves.

Vitor Reis vai trabalhar um bloco de pedra-sabão, embora tenha mais costume de esculpir em mármore. Escolhido pelo Centro de Artes de Caldas da Rainha para vir ao país, ele diz que prefere as formas geométricas e ainda não escolheu um nome para o trabalho. A ideia inicial é produzir uma obra sobre os laços de amizade entre as duas cidades: “Apresentarei uma escultura simbólica e representativa dos dois lugares, como espaços culturais e históricos repletos de afetos e memórias”.

ALEIJADINHO
Promovido pela Associação dos Amigos do Acervo Cultural Geraldo Magela Rodrigues, com apoio da prefeitura local e empresas, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, o festival reúne dezenas de escultores. A fonte de inspiração para todos, conforme os organizadores, está em Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), mestre do barroco e autor de obras nas cidades mineiras vizinhas e próximas a Coronel Xavier Chaves, como São João del-Rei, Tiradentes, Congonhas, Ouro Preto e Mariana.

Como ocorreu na versão anterior do festival, que ocorre a cada dois anos, as peças esculpidas ficarão nas praças públicas. Na primeira vez, foram três e agora serão mais seis. O prefeito Helder Sávio Silva (PV) acredita no evento como mola propulsora do turismo, melhoria da renda e fortalecimento da identidade local como cidade da cantaria e esculturas. Tudo dentro do conceito da sustentabilidade. A cantaria é uma arte criada há mais de 8 mil anos para talhar a pedra e usá-la em construções e os primeiros mestres desse ofício chegaram a Minas no século 18 vindos das regiões do Minho e do Douro, no Norte de Portugal.

O prefeito lembra que os visitantes poderão apreciar as obras de Agnessa Ivanova Petrova (título Dance), na Praça Cipriano Chaves; de Liliya Pobornikova (Family), na Praça Cipriano Chaves; de Petro Matl (Angel), na Praça Eduardo Chaves; e de Francisco de Sales Maia (São Francisco Xavier), na Praça Eduardo Chaves. O conjunto terá ainda esculturas de Maribel Sanchez, da Espanha, e Vitor Reis, de Portugal. “Valorizar a tradição da cantaria e da escultura em pedra do município é a principal finalidade do evento. Queremos criar uma identidade para Coronel Xavier Chaves, como ocorre nas cidades de Resende Costa, referência na produção com o tear, Prados, famosa pelo artesanato em couro, e São João del-Rei e Tiradentes, conhecidas pelo conjunto arquitetônico barroco”, diz o prefeito.

 

Maria Tereza Correia/EM/D. A Press
SAIBA MAIS

Ofício tradicional

Localizado na Estrada Real e Circuito Trilha dos Inconfidentes, o município de 3,3 mil habitantes, a 174 quilômetros de Belo Horizonte e 15 quilômetros de São João del-Rei, Coronel Xavier Chaves tem cerca de 60 moradores que se dedicam às esculturas de gnaisse, granito e pedra-sabão, numa tradição retomada há quatro décadas. Das mãos criativas saem animais, arcanjos e querubins, pias batismais, imagens de santos, bustos e fontes decorativas para interiores de residências e espaços abertos, como jardins e varandas. Durante o festival, os artistas farão as esculturas diante do público, usando marteletes e ferramentas, em completa interação com a comunidade. Do primeiro festival, foi vencedora a escultura de Nossa Senhora da Conceição, em gnaisse e com cinco metros, que fica na entrada da cidade.