Chuva deixa bairros embaixo d'água em Governador Valadares

Nessa sexta-feira, o Rio Doce subiu 4,15 metros acima do seu nível normal, deixando grande parte da cidade debaixo d'água,

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postado em 07/01/2012 12:48 / atualizado em 07/01/2012 12:57

A população de Governador Valadares (Leste do estado) enfrenta uma das piores enchentes da história do município. Nessa sexta-feira, o Rio Doce subiu 4,15 metros acima do seu nível normal, deixando grande parte da cidade debaixo d'água, com centenas de pessoas desabrigadas e áreas completamente isoladas. Vários bairros também ficaram sem o fornecimento de energia e de água potável. O volume do rio aumentou mais ainda devido a um temporal que desabou sob a cidade na madrugada de ontem. Ainda em decorrência da tempestade, houve o soterramento de uma casa na localidade de Baguari (distante 15 quilômetros da área urbana), provocando a morte de um casal, sendo que duas meninas que estavam na mesma moradia escaparam por pura sorte.

Cerca de 20 bairros foram atingidos pela enchente do Rio Doce. De acordo com De acordo boletim divulgado pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de Governador Valadares, às 18h18min de ontem o rio estava 4,09 metros acima do seu nível normal, deixando 126 famílias (490 pessoas) desabrigadas, até o final da tarde de ontem. 77 famílias foram encaminhadas para abrigos instalados nas Escolas Municipais José Ângelo de Marco (bairro Santa Rita), no anexo da Escola Municipal Santos Dumont (bairro Santa Terezinha), no ginásio da Praça de Esportes da cidade, além da Escola Estadual Israel Pinheiro, onde recebem assistência da prefeitura. Os demais desalojados foram encaminhados para as casas de parentes e amigos. Também no início da noite de ontem, a prefeitura informou que boletim da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) indicada a “tendência” de que o nível da água do Rio Doce pudesse cair gradativamente até às 21 horas de ontem.

Muitas famílias ficaram isoladas, sem condições de sair de suas casas, invadidas pela inundação. No resgate delas, realizado durante todo o dia de ontem , foram usados barcos do Corpo de Bombeiros e outras embarcações - incluindo até caiaques – cedidas por pescadores e voluntários. “Foi dada prioridade à retirada de idosos, pessoas acamadas, deficientes e crianças”, explicou Wilde Nonato da Silva Filho, da Coordenadoria Municipal Defesa Civil. A situação é mais grave na Ilha dos Araújos, região de classe média/alta da cidade, que foi totalmente inundada. A ponte que dá acesso ao bairro, coberta pelas águas, foi isolada pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros, visando afastar curiosos e também de evitar possíveis saques. Os outros bairros bastante atingidos foram: São Tarcísio, São Paulo, Jardim Alice, Santos Dumont I e I, JK I e II, São Pedro, Vale Pastoril II, Vila União, Vila Rica, Santa Rita e Universitário. Na maioria deles, o nível da água dentro das casas passou de 1,5 metro.

Desabrigados

O drama foi enfrentado pela autônoma Rutineide Barbosa Francisco, de 39 anos, moradora do bairro Santa Rita, que teve a casa invadida pela inundação. Ela conta que há dois anos, houve grande enchente no Rio Doce, mas que não chegou atingir sua residência. Desta vez foi diferente. “A água entrou de casa e não deu tempo de salvar quase nada. Perdi tudo”, conta Rutineide, acrescentando que entre suas perdas está um guarda-roupa, comprado em seis prestações de R$ 85,00. A última delas foi paga no mês passado. Juntamente com o marido e três filhos pequenos, a mulher foi levada para o abrigo da José Ângelo de Marco, onde se encontram 12 famílias que ficaram desalojadas.

O design Alessandro Miguel Cassarello, que também mora no bairro Santa Rita, teve melhor sorte. Ele também sofreu com a inundação. Mas, agiu a tempo e levou todos os móveis para o segundo pavimento da moradia, evitando prejuízos. O nível da água atingiu cerca de 40 centímetros no pavimento térreo da casa. Mesmo evitando os danos, Alessandro Miguel conta que também sofreu com a tempestade da madrugada de ontem e com a enchente. “Ficamos muito tensos com a subida do nível do rio. A gente nem conseguiu dormir direito”, revela o design.

A costureira Larissa Rodrigues de Almeida, de 22 anos moradora do bairro Jardim Alice, conta que só conseguiu retirar de sua casa apenas poucas peças de  roupas. Queria ter carregado pelo menos o colchão para dormir com os filhos no abrigo da Escola Santos Dumont, mas não foi possível. “O rio subiu rápido demais e o único bem que consegui salvar foram meus filhos”, relata a costureira,que, no final da tarde ontem, estava desesperada, em busca de noticias do paradeiro do marido, Francisco Fernandes da Costa, que ficou no Jardim Alice. “Perdi o contato e não sei onde ele está”, disse Larissa.
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