A celebração dos 70 anos de “Grande Sertão: Veredas” reacende o fascínio pelo universo criado por João Guimarães Rosa. Para quem deseja mergulhar na paisagem que inspirou a jornada épica de Riobaldo e Diadorim, um roteiro pelo sertão de Minas Gerais revela os cenários reais da obra. A viagem começa em Cordisburgo, terra natal do escritor, e se estende até as margens do rio São Francisco, em Januária.

O percurso é uma imersão na geografia e na cultura que moldaram um dos maiores clássicos da literatura brasileira. O ponto de partida, Cordisburgo, abriga o Museu Casa Guimarães Rosa, instalado na casa onde o autor viveu a infância. O local preserva a memória do escritor e oferece um contexto fundamental para entender a origem de suas narrativas.

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De lá, a estrada conduz o viajante pelo coração do cerrado mineiro, uma paisagem de chapadas e veredas que se revela a cada quilômetro. O caminho é tão importante quanto o destino, recriando a sensação de travessia constante presente no livro.

Principais pontos da travessia

Reinauguração do barco à vapor Benjamim Guimarães, em Pirapora Tauan Alencar/MME
Monumento em Cordisburgo faz referência à obra-prima do filho mais ilustre, João Guimarães Rosa, retratado diante de vaqueiros, e estabelece um portal para o riquíssimo universo rosiano Edesio Ferreira/EM/D.A Press
vista de Pirapora: população convive com altas taxas de criminalidade violenta Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Monumento em Cordisburgo, terra de Guimarães Rosa, retrata o escritor (ao fundo) e vaqueiros, inspirado em foto de "O Cruzeiro" Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Gruta mapeada por Peter Lund há 190 anos é redescoberta Em Cordisburgo, a caverna atualmente conhecida como Gruta da Mata, seria na verdade a Gruta da Cagaiteira, visitada por Lund em 1835 e redescoberta pelo Grupo Opilião. Os espeleólogos compararam mapas do pesquisador dinamarquês com medições modernas Mateus Parreiras/EM/D.A Press
O Museu funciona de terça a domingo, das 9h30 às 17h, na Rua Padre João, 744, em Cordisburgo Museu Casa Guimarães Rosa (Facebook)

Seguindo rumo ao norte, a rota passa por cidades que ecoam as andanças dos jagunços. Três Marias, com sua imponente represa no Rio São Francisco, marca uma transição na paisagem. O rio, aliás, é um personagem central na obra e acompanha boa parte do trajeto, ora largo e sereno, ora sinuoso e desafiador.

A viagem continua margeando o "Velho Chico" até chegar a Pirapora, conhecida por seu histórico vapor Benjamim Guimarães. Mais adiante, a cidade de São Francisco serve como portal para o sertão profundo, onde a natureza se torna ainda mais exuberante e selvagem. É nesta região que se encontra o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, uma vasta área de conservação localizada na divisa entre Minas Gerais, Bahia e Goiás.

Criado para proteger esse bioma único, o parque é o ápice da jornada. Suas trilhas levam a cachoeiras e mirantes que descortinam a imensidão do chapadão, o cenário exato onde a ficção de Rosa ganha vida. A jornada se encerra em Januária, cidade histórica que serviu de entreposto comercial e palco de muitas histórias que alimentaram o imaginário do autor.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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