A política externa da administração Trump para a América Latina, liderada pelo secretário de Estado Marco Rubio, ganhou um apelido que rodou o mundo: "Doutrina Donroe". O termo não é um jogo de palavras qualquer nem uma criação da imprensa estrangeira, ele nasceu como trocadilho de tabloide americano, foi adotado por analistas de política internacional e, principalmente, acabou confirmado pelo próprio Donald Trump, que passou a usá-lo para descrever sua própria estratégia após uma operação militar que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
De onde veio o termo "Donroe"?
O nome é uma fusão de "Don", de Donald Trump, e "roe", de (Mon)roe. Ele apareceu pela primeira vez em janeiro de 2026, na primeira página do jornal New York Post, como um trocadilho para descrever o que a própria administração já vinha chamando, em termos mais formais, de "corolário Trump à Doutrina Monroe", uma atualização do princípio de 1823, segundo o qual os Estados Unidos se colocavam como potência dominante em todo o continente americano, sob o lema "América para os americanos".
O apelido poderia ter ficado restrito ao noticiário se não fosse por um episódio decisivo: a Operação Absolute Resolve. No início da madrugada de 3 de janeiro de 2026, mais de 150 aeronaves americanas, partindo de 20 bases e porta-aviões, extraíram o presidente venezuelano Nicolás Maduro de seu complexo militar fortificado em Caracas e o transportaram, algemado, para Nova York. Ao anunciar o resultado da operação, Trump não usou a linguagem tradicional de contraterrorismo — ele recorreu diretamente ao apelido nascido no tabloide: "Eles agora chamam isso de Doutrina Donroe." A partir daí, o termo deixou de ser piada de manchete e passou a ser usado, inclusive, por institutos de política externa como o CSIS e o think tank europeu ECFR para analisar a estratégia americana na região.
O vídeo do Departamento de Estado
Em agosto de 2026, o Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, publicou um vídeo citando a própria captura de Maduro como exemplo prático da Doutrina Monroe em ação no século 21. A publicação reacendeu o debate público sobre o tema e reforçou, na imprensa, o uso corrente do apelido "Doutrina Donroe" para descrever essa linha de atuação.
Como a doutrina funciona na prática?
Além da ação militar direta contra a Venezuela, a estratégia se apoia em um conjunto mais amplo de ferramentas de pressão sobre governos considerados hostis ou desalinhados de Washington:
Pressão diplomática e sanções: imposição de sanções econômicas a países, empresas e indivíduos, além de isolamento em fóruns internacionais como a ONU.
Apoio à oposição: suporte político e, em alguns casos, financeiro a grupos opositores de governos considerados hostis.
Retórica assertiva: discursos firmes e ultimatos públicos para forçar mudanças de rota em políticas de outras nações.
Condicionamento de ajuda: vincular a liberação de ajuda financeira ou acordos comerciais à adoção de políticas específicas pelos países latino-americanos.
A principal diferença em relação à doutrina original de 1823 é o alvo: enquanto a versão de James Monroe mirava impedir a interferência colonial europeia, a versão atual foca em conter governos de esquerda e a crescente presença econômica de rivais globais, como a China, na região.
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Quais as reações?
A implementação da estratégia, que incluiu viagens de Marco Rubio a países como Equador, Colômbia e Peru, tem gerado fortes reações. Dentro dos Estados Unidos, a deputada democrata Delia Ramirez criticou a postura da Secretaria de Estado, classificando a iniciativa como uma "peça barata de propaganda imperialista". Na América Latina, a abordagem é recebida com uma mistura de apoio por parte de governos alinhados e forte resistência de setores que defendem os princípios da soberania nacional e da não intervenção.
