Discussões recentes sobre as condições de trabalho de maquinistas e possíveis greves no setor ferroviário trazem à tona uma questão central para a economia do Brasil: por que o país ainda depende tanto do transporte rodoviário para movimentar suas riquezas? A resposta passa por décadas de escolhas estratégicas e uma série de gargalos que travam o avanço dos trens de carga.

Atualmente, mais de 60% de toda a carga transportada no território nacional viaja sobre pneus de caminhões. A malha ferroviária, por sua vez, responde por uma fatia inferior a 25%. Essa enorme desproporção resulta em custos logísticos mais altos, maior emissão de poluentes e uma vulnerabilidade a crises de abastecimento, como a greve dos caminhoneiros de 2018 demonstrou.

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A dependência das rodovias encarece o frete devido aos gastos com combustível, pedágios e manutenção de veículos. Além disso, expõe as mercadorias a maiores riscos de acidentes e roubos, problemas menos frequentes no transporte sobre trilhos, que é considerado mais seguro e eficiente para longas distâncias e grandes volumes.

Os principais gargalos da malha ferroviária

O cenário atual é resultado de uma combinação de fatores históricos e estruturais. O principal deles é o baixo investimento público e privado no setor ao longo de décadas, período em que a prioridade foi a expansão da malha rodoviária. Muitas ferrovias existentes são antigas, com trechos que operam em baixa velocidade e necessitam de modernização urgente.

Outro obstáculo significativo é a falta de conectividade. A rede ferroviária brasileira é fragmentada, com diferentes bitolas (a distância entre os trilhos) e pouca integração entre as linhas administradas por concessionárias distintas. Isso dificulta a criação de rotas contínuas que atravessem o país, obrigando muitas vezes a transferência da carga para caminhões no meio do trajeto.

A maior parte da infraestrutura sobre trilhos que funciona com alta eficiência está voltada para o escoamento de commodities específicas, como minério de ferro e grãos, ligando áreas de produção diretamente aos portos. Falta uma rede mais capilarizada para atender a outros setores da indústria e do agronegócio, que poderiam se beneficiar de um transporte mais barato e sustentável.

Iniciativas como o Marco Legal das Ferrovias, sancionado em 2021, buscam destravar o setor ao facilitar a construção de novas linhas pela iniciativa privada por meio de autorizações. A expectativa é que o modelo atraia investimentos para expandir e modernizar a malha, diversificando as opções logísticas e tornando o Brasil mais competitivo.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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