A experiência de trabalhar apenas quatro dias por semana se mostrou um sucesso no Brasil. Um projeto piloto, conduzido pela organização 4 Day Week Global em parceria com a Reconnect Happiness at Work e com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), envolveu 19 empresas que completaram o desafio e revelou ganhos expressivos tanto para os funcionários quanto para os negócios.

A iniciativa, cuja implementação ocorreu de janeiro a junho de 2024 após um período de preparação, teve como base a redução da jornada sem qualquer corte no salário. Os resultados mostram uma melhora significativa na saúde mental e no bem-estar dos colaboradores, enquanto as companhias participantes não registraram queda na produtividade; pelo contrário, muitas viram seus resultados financeiros melhorarem.

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Principais resultados do teste

Os dados coletados ao longo do experimento são claros. A aplicação do modelo trouxe impactos diretos na qualidade de vida dos trabalhadores e no desempenho das empresas. Entre os principais indicadores, destacam-se:

  • Saúde e bem-estar: Houve 30,5% de redução da ansiedade semanal e 72,8% de queda nos índices de exaustão frequente entre os funcionários.

  • Produtividade e engajamento: 71,5% dos participantes perceberam aumento na produtividade e 60,3% no engajamento com o trabalho.

  • Faturamento: Cerca de 72% das empresas registraram um aumento na receita durante o período do piloto.

  • Retenção: A satisfação foi tão alta que 40,4% dos funcionários afirmaram que precisariam de um reajuste salarial acima de 50% para aceitar um retorno à jornada de cinco dias.

Como funciona o modelo 100-80-100

A proposta não é simplesmente cortar um dia de trabalho. O modelo, conhecido como 100-80-100, prevê o pagamento de 100% do salário, com os funcionários trabalhando 80% do tempo, desde que mantenham 100% da produtividade. Para isso, as empresas precisam repensar processos, otimizar reuniões e focar em tarefas que realmente geram valor.

Ao final do experimento, a maioria das empresas decidiu seguir com o modelo, mas de formas distintas: 46,2% mantiveram o formato implementado de forma permanente; 38,5% estenderam o período de testes; 7,7% planejam expandir para outras equipes; e 7,7% consideram realizar ajustes. Além disso, 84,6% dos líderes acreditam que a semana de 4 dias trouxe benefícios para a organização.

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho ganha força no Brasil, com propostas em análise no Congresso Nacional. Os resultados positivos do projeto piloto brasileiro servem como um importante caso de estudo para o debate sobre o futuro das relações de trabalho no país.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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