A recente Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, acendeu um alerta: quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos já sofreram bullying. O levantamento, com dados coletados em 2024, mostra que o problema afeta principalmente as meninas — 43,3% delas relataram ter sido vítimas, contra 37,3% dos meninos —, o que reforça a urgência de ações efetivas no ambiente de ensino. Mas o que as escolas podem realmente fazer para combater essa violência de forma duradoura?

Embora o número total de vítimas tenha se mantido relativamente estável em relação a 2019, a frequência dos ataques se intensificou: a proporção de alunos que sofreram bullying duas ou mais vezes subiu mais de 4 pontos percentuais. Os motivos mais citados para a violência foram a aparência do rosto, cabelo ou corpo e a cor ou raça.

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Campanhas pontuais de conscientização, embora importantes, muitas vezes não são suficientes para transformar a cultura escolar. Ações isoladas tendem a perder o impacto com o tempo, pois não abordam a raiz do problema: a falta de empatia, a dificuldade em lidar com as diferenças e a ausência de canais seguros para comunicação e resolução de conflitos.

Para resultados consistentes, é preciso integrar o combate ao bullying ao projeto pedagógico da instituição, transformando-o em um esforço contínuo que envolve alunos, professores, funcionários e famílias. No entanto, a própria pesquisa revela um dado preocupante: apenas 43,2% dos estudantes estavam em instituições que realizaram ações de prevenção ao bullying.

Estratégias que vão além do discurso

Diversas metodologias já apresentam resultados positivos ao redor do mundo e no Brasil. Uma delas é a implementação de programas de desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Nesses projetos, os alunos aprendem a identificar e a gerenciar suas próprias emoções, além de desenvolver empatia e colaboração.

Outra frente de atuação são as práticas restaurativas, como os círculos de construção de paz. A ideia é criar espaços de diálogo onde todos possam se expressar e ser ouvidos. Quando um conflito acontece, o foco não é apenas punir o agressor, mas reparar o dano causado e reintegrar os envolvidos na comunidade de forma positiva.

A criação de comissões de ajuda ou equipes de mediação, formadas pelos próprios estudantes, também se mostra eficaz. Com o treinamento adequado, esses jovens se tornam mediadores de conflitos entre os colegas, promovendo uma cultura de apoio mútuo e intervenção precoce antes que as situações se agravem.

O ponto central dessas iniciativas é a mudança de foco: da reação para a prevenção. Ao investir na formação humana e na construção de um ambiente escolar seguro e acolhedor, as escolas não apenas combatem o bullying, mas também promovem a saúde mental e melhoram o desempenho acadêmico de todos os estudantes.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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