A recente declaração do presidente Donald Trump, em 17 de março de 2026, de que poderia “tomar Cuba”, adiciona um novo capítulo à tensa relação entre os Estados Unidos e a ilha. A fala ocorre em meio a um colapso energético em Cuba, agravado por um embargo de petróleo imposto por Washington, e reacende uma história de atritos que já dura mais de seis décadas.
A raiz do conflito remonta a 1959, com a vitória da Revolução Cubana liderada por Fidel Castro. O novo governo nacionalizou empresas americanas e se alinhou com a União Soviética, em plena Guerra Fria. Em resposta, Washington rompeu relações diplomáticas em 1961 e impôs um rigoroso embargo econômico que, com variações, permanece em vigor até hoje.
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Momentos de tensão máxima
O rompimento inicial escalou rapidamente para confrontos diretos e indiretos. A Invasão da Baía dos Porcos, em 1961, foi uma tentativa frustrada da CIA de derrubar Castro com exilados cubanos. A ação fracassou e fortaleceu o regime cubano, aproximando-o ainda mais de Moscou.
Um ano depois, o mundo prendeu a respiração durante a Crise dos Mísseis. A descoberta de bases de lançamento de mísseis nucleares soviéticos em Cuba colocou as duas superpotências à beira de uma guerra nuclear. A crise só foi resolvida após um tenso período de negociações secretas.
Nas décadas seguintes, a relação foi marcada por hostilidade mútua e crises migratórias, como o êxodo de Mariel, em 1980, quando mais de 125 mil cubanos deixaram a ilha rumo à Flórida. A queda da União Soviética, em 1991, mergulhou Cuba em uma profunda crise econômica, mas o embargo americano foi mantido.
Degelo e novos atritos
Uma mudança significativa ocorreu em 2014, quando o presidente Barack Obama iniciou uma histórica reaproximação. Os dois países restabeleceram relações diplomáticas, reabriram embaixadas e flexibilizaram regras de viagens e comércio, marcando o chamado “degelo cubano”.
Contudo, essa abertura foi revertida já no primeiro governo de Donald Trump (2017-2021). Após seu retorno à Casa Branca em 2025, a política de pressão foi intensificada, culminando em um bloqueio naval em 2026 para impedir a chegada de petróleo à ilha. É nesse contexto de crise energética aguda, causada pelas sanções, que surge a mais recente declaração de Trump sobre uma possível intervenção direta.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
