Receber uma parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) todo ano parece uma ótima ideia, mas a escolha pelo saque-aniversário exige cuidado. A modalidade, que permite a retirada de um percentual do saldo anualmente, no mês de nascimento do trabalhador, esconde uma contrapartida importante: o bloqueio do valor total em caso de demissão sem justa causa.

Criada como uma alternativa ao saque-rescisão, a opção pelo saque-aniversário é voluntária e pode ser feita diretamente pelo aplicativo do FGTS. Uma vez ativada, o trabalhador passa a ter acesso a uma parcela do seu fundo todo ano, mas abre mão de resgatar o montante integral se for desligado da empresa. Além disso, a modalidade permite antecipar saques futuros com instituições financeiras, usando o saldo como garantia para empréstimos. A decisão precisa ser bem pensada, pois envolve a troca de uma reserva de emergência por uma renda extra periódica.

Vantagens do saque-aniversário

A principal vantagem é a liquidez. Com esse dinheiro em mãos, o trabalhador pode utilizá-lo para diversos fins, o que pode ser estratégico dependendo da sua situação financeira. As possibilidades incluem:

  • Quitar dívidas caras: usar o recurso para pagar débitos com juros altos, como cheque especial ou cartão de crédito, é uma das melhores destinações.

  • Realizar um investimento: como o rendimento do FGTS é historicamente baixo, sacar o valor para aplicar em produtos mais rentáveis pode aumentar o patrimônio a longo prazo.

  • Aliviar o orçamento: o dinheiro pode complementar a renda e ajudar a cobrir despesas pontuais, evitando o endividamento.

O grande risco: a demissão inesperada

A maior desvantagem está justamente na perda da principal função do FGTS: servir como um colchão de segurança financeira em caso de desemprego. Ao optar pelo saque-aniversário, o trabalhador que for demitido sem justa causa receberá apenas a multa de 40% sobre o saldo total, mas não poderá sacar o valor que está na conta.

Essa regra torna a modalidade arriscada para quem não tem estabilidade no emprego ou não possui uma reserva de emergência robusta. O valor que serviria de amparo durante a busca por uma nova oportunidade fica retido, o que pode gerar grandes dificuldades financeiras.

Afinal, para quem vale a pena?

O saque-aniversário é mais indicado para quem tem estabilidade profissional, como servidores públicos ou funcionários com longa carreira em empresas sólidas. Também pode ser uma boa opção para quem tem disciplina financeira, uma reserva de emergência já formada e um plano claro para o uso do dinheiro, como quitar dívidas ou investir.

Para quem vive com incerteza sobre a permanência no emprego ou não tem controle sobre as finanças, manter o saque-rescisão é o caminho mais seguro. Caso o trabalhador se arrependa da escolha, é possível solicitar o retorno à modalidade padrão, mas a mudança só entra em vigor a partir do primeiro dia do 25º mês após a solicitação de retorno.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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