A morte de Maria Lima das Graças, que foi síndica do Edifício JK por mais de 40 anos, trouxe de volta os holofotes para um dos maiores símbolos de Belo Horizonte. Sua gestão, embora longeva, foi marcada por controvérsias e disputas judiciais nos últimos anos, refletindo a complexidade do icônico prédio. Projetado por Oscar Niemeyer, o complexo não é apenas um marco arquitetônico, mas uma verdadeira cidade vertical que pulsa no coração da capital mineira.
Projetado em 1951, o complexo nasceu de uma encomenda do então governador Juscelino Kubitschek. A ideia original, ainda mais grandiosa, previa abrigar um museu de Arte Moderna, repartições públicas e residências para funcionários, além de comércio e serviços. No entanto, o projeto foi adaptado para se tornar o monumental conjunto residencial que conhecemos hoje, um dos primeiros do gênero no Brasil.
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Composto por dois blocos de alturas diferentes, o Edifício JK foi concebido para funcionar de forma autônoma. Niemeyer imaginou um espaço onde os moradores pudessem viver, trabalhar e ter acesso a serviços sem precisar sair do condomínio, um conceito inovador para a época.
Com 1.087 apartamentos, o gigante de concreto é um dos maiores da América Latina e abriga uma população estimada em cinco mil pessoas. Sua estrutura inclui uma galeria com lojas e serviços diversos, concretizando a visão de autossuficiência do arquiteto.
Apesar do prestígio, o prédio enfrentou décadas de desafios, incluindo problemas de manutenção e estigmas sociais. No entanto, passou por um processo de revitalização que reforçou sua importância histórica e comunitária, tornando-se um endereço valorizado e cheio de vida.
Curiosidades do gigante de concreto
Estrutura monumental: o bloco A possui 36 andares e o bloco B, 23, sendo uma das construções mais altas da cidade.
Diversidade de moradias: o complexo possui 13 tipos de plantas, com apartamentos que vão de quitinetes a unidades de quatro quartos.
Vida comunitária: além das lojas, o espaço conta com uma igreja, áreas de convivência e eventos culturais que movimentam a rotina dos moradores.
Design funcional: a fachada é marcada pelos cobogós, elementos vazados que garantem ventilação e iluminação naturais aos apartamentos.
Patrimônio cultural: o edifício foi tombado definitivamente pelo Patrimônio Histórico e Cultural do município em 2022, um reconhecimento de sua relevância que garante sua preservação e concede benefícios como a isenção de IPTU.
Mais do que uma obra de Niemeyer — que, segundo relatos, ficou descontente com as alterações feitas no projeto original —, o Edifício JK se tornou um organismo vivo, refletindo as transformações de Belo Horizonte ao longo das décadas. A dedicação de figuras como a ex-síndica Maria Lima das Graças ajudou a preservar não apenas a estrutura, mas o espírito de comunidade que define o local. Hoje, ele se mantém como um ícone da arquitetura moderna brasileira e um lar para milhares de histórias.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
