A cena é comum em aeroportos brasileiros durante os meses mais frios: painéis de voos com dezenas de atrasos e cancelamentos. A principal culpada, na maioria das vezes, é a neblina. Esse fenômeno climático, que parece inofensivo no solo, representa um dos maiores desafios para a segurança da aviação, forçando o fechamento de pistas por horas.

O motivo central é a drástica redução da visibilidade. Para os pilotos, enxergar a pista, as luzes de sinalização e outras aeronaves é fundamental, especialmente nas fases críticas de pouso e decolagem. Mesmo com a tecnologia avançada dos aviões modernos, a referência visual ainda é um componente indispensável para uma operação segura.

Como a tecnologia lida com a neblina

Muitos aeroportos contam com o ILS (Instrument Landing System), um sistema de aproximação por instrumentos que guia a aeronave até a cabeceira da pista por meio de sinais de rádio. No entanto, existem diferentes categorias de ILS, que permitem operações com níveis variados de visibilidade.

Aeroportos com sistemas mais avançados (CAT II e III) podem operar com tetos de visibilidade muito baixos, mas exigem que tanto a aeronave quanto a tripulação sejam certificadas para esses procedimentos. No Brasil, por exemplo, aeroportos de grande movimento como Guarulhos (SP), Galeão (RJ) e Curitiba (PR) são equipados com ILS de categorias mais altas, o que permite maior regularidade nas operações sob névoa. Mesmo assim, quando a neblina é mais densa do que o sistema permite, as operações são suspensas por segurança.

Além disso, o risco não se limita ao ar. Em solo, a baixa visibilidade torna o taxiamento das aeronaves extremamente perigoso. O controle de tráfego aéreo precisa de um campo de visão claro para coordenar a movimentação nos pátios e pistas, evitando colisões com outros aviões ou veículos de serviço.

A decisão de fechar um aeroporto ou operar com restrições é tomada em conjunto pela torre de controle, a administração do aeroporto e as companhias aéreas, com base em rígidos protocolos. As operações só são retomadas quando as condições meteorológicas atingem os mínimos de segurança estabelecidos por regulamentação aeronáutica, garantindo a integridade de passageiros e tripulantes.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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