Nascida em 1º de fevereiro de 1945, a farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes transformou uma história de dor pessoal em um dos maiores legados de proteção à mulher no Brasil. Em 1983, na cidade de Fortaleza, ela sobreviveu a duas tentativas de assassinato cometidas por seu então marido, o economista colombiano Marco Antonio Heredia Viveros. A luta por justiça que se seguiu expôs a fragilidade do sistema judicial e deu origem à lei que hoje leva seu nome.

O caso se tornou um emblema da impunidade que cercava a violência doméstica no país. A jornada de Maria da Penha nos tribunais brasileiros foi lenta e frustrante, fazendo com que sua história chegasse a uma instância internacional em busca de uma resposta.

Leia Mais

As tentativas de assassinato

A primeira agressão ocorreu em maio de 1983. O marido atirou em suas costas com uma espingarda enquanto ela dormia, simulando um assalto. O ataque a deixou paraplégica. Após meses de internação e cirurgias, ela voltou para casa, apenas para enfrentar uma nova tentativa de morte.

Já em cadeira de rodas, Maria da Penha foi mantida em cárcere privado pelo agressor por cerca de 15 dias antes de ser novamente atacada, quando ele tentou eletrocutá-la durante o banho. Com a ajuda da família, ela conseguiu finalmente deixar a casa e iniciar o processo para denunciar e punir o responsável pelos crimes.

A longa busca por justiça

A batalha judicial se arrastou por quase duas décadas. O primeiro julgamento ocorreu apenas em 1991, oito anos após o crime, mas a defesa conseguiu anular a condenação. Em um segundo julgamento, em 1996, o agressor foi novamente condenado, mas recursos processuais permitiram que ele permanecesse em liberdade.

Diante da impunidade, em 1998, Maria da Penha, com o apoio de organizações de direitos humanos, denunciou o Brasil na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Como resultado, em 2001, o Estado brasileiro foi condenado internacionalmente por negligência e omissão. A OEA recomendou ao Brasil a criação de uma legislação mais rigorosa para combater a violência doméstica, além de outras medidas de prevenção e assistência às vítimas.

Um marco na legislação

A condenação internacional foi o catalisador para a elaboração de uma nova lei. Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, estabeleceu mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

A legislação tornou os crimes mais graves, agilizou a concessão de medidas protetivas de urgência e criou juizados especializados. A trajetória de Maria da Penha não apenas garantiu sua sobrevivência, mas também inspirou a criação de uma ferramenta fundamental para proteger milhares de mulheres em todo o país. Em 2009, ela fundou o Instituto Maria da Penha para dar continuidade à sua luta.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

compartilhe