As recentes tensões geopolíticas no Oriente Médio podem parecer distantes, mas o efeito delas já chegou diretamente ao seu bolso. Em março de 2026, a escalada do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã levou o barril do petróleo Brent a ultrapassar US$ 100, com picos próximos de US$ 120. A volatilidade no preço do barril de petróleo, negociado em dólar, provoca um efeito cascata que vai muito além do valor que você paga para abastecer o carro. Essa variação define o custo de itens essenciais, desde o gás de cozinha até o pão na sua mesa.
A lógica é direta. O petróleo é a matéria-prima de combustíveis como a gasolina, o diesel e o gás de aviação. Quando a cotação internacional sobe por medo de uma crise no fornecimento, as refinarias pagam mais caro pelo barril. Esse custo é repassado para as distribuidoras e, finalmente, para o consumidor final nas bombas de combustível.
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No Brasil, o impacto é duplo, pois o preço do barril é cotado em dólar. Se a moeda americana se valoriza frente ao real, o custo de importação sobe, mesmo que o preço internacional do petróleo permaneça estável. Essa combinação torna o cenário ainda mais desafiador para o controle da inflação. Vale destacar que o país importa cerca de 25% a 30% do diesel consumido internamente, o que aumenta a exposição às oscilações externas.
A Petrobras, principal fornecedora de combustíveis do país, não repassa automaticamente todas as oscilações do mercado internacional. A estatal adota uma política que suaviza movimentos abruptos para reduzir a volatilidade ao consumidor. Ainda assim, em março de 2026, a defasagem entre os preços praticados pela empresa e o mercado internacional atingiu níveis históricos: cerca de 85% no diesel e 49% na gasolina, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
Para além da gasolina: o efeito cascata no seu dia a dia
O aumento do diesel é o principal motor de uma inflação generalizada. Como praticamente toda a produção nacional é transportada por rodovias, o frete fica mais caro. Esse custo adicional é embutido no preço de quase todos os produtos que chegam aos supermercados, lojas e à sua casa.
Veja como outros itens básicos são afetados:
Gás de cozinha: o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) é um derivado direto do petróleo. Sua alta é sentida imediatamente pelas famílias, impactando o orçamento doméstico.
Alimentos: o diesel mais caro aumenta o custo do transporte de grãos, frutas e legumes do campo para a cidade. Máquinas agrícolas também consomem combustível, e muitos fertilizantes usam derivados de petróleo em sua composição.
Energia elétrica: parte da eletricidade do país é gerada por usinas termelétricas, que queimam combustíveis fósseis. Em períodos de seca, quando as hidrelétricas produzem menos, o uso dessas usinas aumenta, encarecendo a conta de luz.
Passagens aéreas e transporte por aplicativo: empresas aéreas e motoristas de aplicativo ajustam seus preços rapidamente para compensar o aumento do querosene de aviação e da gasolina.
Produtos industrializados: plásticos, borrachas sintéticas, tecidos como o náilon e até mesmo produtos de limpeza e cosméticos usam o petróleo como matéria-prima. Qualquer aumento no barril pressiona os custos de toda a indústria.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
