A troca de ataques diretos entre Irã e Israel, que eleva a tensão no Oriente Médio, é o capítulo mais visível de uma rivalidade que dura mais de quatro décadas. O que hoje é um confronto quase direto já foi uma aliança estratégica, transformada radicalmente por um evento que mudou a geopolítica da região para sempre.

Até a década de 1970, os dois países mantinham relações diplomáticas e comerciais. Israel via o Irã, então governado pelo xá Mohammad Reza Pahlavi, como um importante aliado não árabe em uma vizinhança hostil. Essa cooperação incluía acordos militares e de inteligência.

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A situação mudou drasticamente com a Revolução Iraniana de 1979. A chegada ao poder do aiatolá Ruhollah Khomeini instaurou uma república islâmica com uma ideologia antiocidental e anti-israelense. O novo regime rompeu relações e passou a classificar Israel como o "Pequeno Satã", um inimigo a ser combatido.

De aliança a guerra sombria

Desde então, a disputa não acontece em um campo de batalha tradicional, mas em uma "guerra sombria". O Irã passou a financiar e armar grupos que lutam contra Israel, como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza. Essa estratégia de usar procuradores permite a Teerã atacar sem se envolver diretamente.

A resposta israelense se concentra em ações de inteligência, ciberataques e operações militares pontuais. O programa nuclear iraniano se tornou o principal foco de preocupação para Israel, que o considera uma ameaça existencial e realiza ações para sabotá-lo. A guerra civil na Síria também virou um palco para esse confronto, com Israel bombardeando alvos iranianos no país vizinho.

Linha do tempo da rivalidade

  • 1979: A Revolução Iraniana transforma a relação de aliança em inimizade. O Irã corta todos os laços diplomáticos e oficiais com Israel.

  • 1982: Teerã apoia a criação do grupo Hezbollah no Líbano, que se torna um dos principais adversários militares de Israel em sua fronteira norte.

  • Anos 2000: O avanço do programa nuclear do Irã se torna a principal preocupação de segurança israelense.

  • 2010: O vírus de computador Stuxnet, atribuído a Israel e aos EUA, causa danos significativos às centrífugas nucleares iranianas.

  • 2018: Israel intensifica ataques aéreos na Síria contra bases, comboios de armas e pessoal ligado ao Irã.

  • Janeiro de 2020: O assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, em uma operação americana, eleva a tensão, com acusações de participação da inteligência israelense.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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