Qualquer alerta sobre o risco de rompimento de barragens em Minas Gerais é suficiente para reavivar um trauma que o estado luta para superar: o medo constante. Cada episódio de evacuação preventiva, especialmente durante períodos de chuvas fortes, serve como um lembrete doloroso das tragédias de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, em 2019, que marcaram a história do Brasil.

Minas Gerais concentra o maior número de barragens do país, com mais de 400 estruturas de mineração cadastradas na Agência Nacional de Mineração (ANM). A maioria está ligada à atividade que é um pilar da economia local, mas também uma fonte permanente de preocupação para as comunidades que vivem no entorno desses empreendimentos.

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O fantasma de Brumadinho, onde o rompimento da barragem da Vale resultou na morte de 272 pessoas — incluindo duas bebês em gestação, com três vítimas ainda desaparecidas —, ainda assombra os mineiros. A lama tóxica não apenas destruiu vidas e o meio ambiente, mas também abalou a confiança da população nos mecanismos de segurança e fiscalização. Desde então, a legislação se tornou mais rigorosa, proibindo, por exemplo, o método de alteamento a montante, considerado o mais inseguro e responsável pelo desastre.

O desafio da fiscalização

Apesar dos avanços legais, o desafio prático de garantir a segurança de todas as estruturas é imenso. A fiscalização enfrenta dificuldades como o volume de barragens a serem inspecionadas e a complexidade de avaliar estruturas antigas. Muitas ainda estão em processo de descaracterização, uma operação complexa para desmontar barragens que utilizam o método proibido.

Atualmente, dezenas de barragens em Minas Gerais não possuem declaração de estabilidade, o que as coloca em diferentes níveis de alerta ou emergência, segundo dados da própria ANM. Essa classificação exige planos de ação imediatos e mantém as defesas civis municipais e a população em constante vigilância.

Para quem vive à sombra dessas estruturas, cada período chuvoso intenso transforma a apreensão em medo real. O som das sirenes de alerta e a necessidade de deixar as casas às pressas são um gatilho para a memória coletiva de um estado que conhece de perto o poder destrutivo da negligência.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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