A tensão entre o Irã e os Estados Unidos é uma das rivalidades geopolíticas mais duradouras do cenário internacional, uma história com mais de quatro décadas. O conflito, que hoje se manifesta em sanções, disputas indiretas e ameaças militares, começou com uma revolução que mudou para sempre o mapa do Oriente Médio.
A relação entre as duas nações se desfez completamente com a Revolução Islâmica de 1979. A queda do xá Mohammad Reza Pahlavi, um importante aliado de Washington, e a ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder estabeleceram um regime teocrático abertamente hostil aos interesses americanos na região.
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O ponto de ruptura ocorreu em novembro daquele mesmo ano, quando estudantes iranianos invadiram a embaixada dos EUA em Teerã e fizeram 52 diplomatas e cidadãos americanos reféns. A crise durou 444 dias e resultou no corte formal das relações diplomáticas, um rompimento que perdura até hoje.
O "Eixo do Mal" e a questão nuclear
As décadas seguintes foram marcadas por desconfiança e conflitos indiretos. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, a tensão foi elevada quando, em seu discurso sobre o Estado da União de janeiro de 2002, o então presidente americano, George W. Bush, incluiu o Irã no chamado "Eixo do Mal", ao lado do Iraque e da Coreia do Norte.
O programa nuclear iraniano se tornou o principal foco de preocupação internacional. Os Estados Unidos e outras potências globais acusavam Teerã de buscar secretamente o desenvolvimento de armas atômicas, o que levou à imposição de duras sanções econômicas contra o país persa.
O acordo nuclear e a nova escalada
Uma janela de diálogo se abriu em 2015, com a assinatura do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), conhecido como acordo nuclear iraniano. Pelo pacto, o Irã concordou em limitar significativamente seu programa nuclear em troca do alívio das sanções econômicas.
Essa trégua, no entanto, foi curta. Em maio de 2018, o governo de Donald Trump retirou unilateralmente os Estados Unidos do acordo e restabeleceu sanções ainda mais severas, adotando uma política de "pressão máxima" contra Teerã. A medida foi um gatilho para uma nova fase de hostilidade.
A tensão atingiu um novo ápice em 3 de janeiro de 2020, quando um ataque de drone americano em Bagdá, no Iraque, matou o general Qasem Soleimani, um dos mais poderosos e influentes líderes militares do Irã. Teerã respondeu com mísseis contra bases que abrigavam tropas americanas.
Desde então, o cenário permanece marcado por tensões, ataques indiretos realizados por meio de grupos aliados no Oriente Médio e um impasse diplomático contínuo. A rivalidade se insere em um contexto de disputas por poder e influência em uma das regiões mais instáveis do planeta.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
