Um único doador de órgãos pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de diversas pessoas. No Brasil, onde mais de 42 mil pessoas aguardam na fila por um transplante, o desejo de realizar esse gesto de solidariedade depende de um passo fundamental: a comunicação com a família. Atualmente, a autorização para a doação após a morte é uma decisão exclusiva dos parentes mais próximos.

Diferente do que muitos imaginam, não existe um cadastro nacional de doadores ou a necessidade de registrar a intenção em documentos como a carteira de identidade ou de motorista. Essas práticas não têm mais validade legal no país. O que realmente importa é que seus familiares saibam do seu desejo.

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A conversa clara e aberta é a ferramenta mais eficaz. Deixar a família ciente da sua vontade evita que eles precisem tomar uma decisão difícil em um momento de dor e incerteza. A palavra final será sempre a deles, por isso o diálogo prévio é tão importante.

Para reforçar essa vontade, foi criada em 2024 a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). Por meio do site aedo.org.br ou do aplicativo e-Notariado, qualquer pessoa maior de 18 anos pode registrar formalmente seu desejo em um cartório. Embora este documento não substitua a autorização familiar, que continua sendo decisiva, ele serve como uma manifestação oficial para orientar os parentes.

Como funciona o processo de doação?

A doação de órgãos de uma pessoa falecida só pode ocorrer após a confirmação da morte encefálica. Esse diagnóstico segue um protocolo rigoroso, estabelecido pelo Conselho Federal de Medicina, e é realizado por médicos de diferentes especialidades para garantir total segurança no procedimento.

Uma vez confirmada a morte encefálica, a equipe do hospital conversa com a família sobre a possibilidade da doação. Se houver o consentimento, uma série de exames é realizada para verificar a compatibilidade dos órgãos com os pacientes que aguardam na fila de transplantes.

Todo o processo é coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que gerencia uma lista única em todo o país. A distribuição dos órgãos é feita com base em critérios técnicos, como tipo sanguíneo, compatibilidade genética e gravidade do estado do paciente na fila, garantindo um processo justo e transparente.

Quem pode ser doador em vida?

A doação também pode ser feita em vida, mas de forma restrita. Qualquer pessoa saudável pode doar um dos rins, parte do fígado ou medula óssea. Geralmente, esse tipo de doação é direcionado a um familiar de até quarto grau. Para pessoas que não são parentes, é necessária uma autorização judicial.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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