Receber uma parte dos lucros de grandes empresas sem precisar vender suas ações é o que atrai tantos investidores para os dividendos. Com as recentes mudanças na tributação, entender seu funcionamento tornou-se ainda mais relevante. De forma simples, eles são uma parcela do resultado financeiro de uma companhia, distribuída periodicamente aos seus acionistas como uma forma de remuneração pelo capital investido.
Para as empresas, distribuir dividendos é um sinal de maturidade e saúde financeira. Significa que a operação é lucrativa e gera caixa suficiente não apenas para se manter e crescer, mas também para recompensar quem acredita no negócio. Para o investidor, é uma das principais formas de gerar renda passiva no mercado de capitais.
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Como funciona o pagamento de dividendos?
O processo é bem definido. Primeiro, a empresa apura seu lucro em um trimestre ou ano e o conselho de administração aprova a distribuição. Em seguida, são divulgadas datas importantes para o investidor. A "data com" é o último dia para possuir a ação e garantir o direito ao provento.
Logo no dia seguinte, ocorre a "data ex", quando o papel passa a ser negociado sem esse direito, e seu preço costuma ser ajustado para baixo no valor do dividendo. Por fim, o pagamento ocorre em uma data futura, com o valor creditado diretamente na conta do acionista na corretora.
Além dos dividendos, existe outra forma de provento: os Juros sobre Capital Próprio (JCP), que sofrem desconto de 15% de IR retido na fonte, pois a empresa os declara como despesa financeira. Já os dividendos, desde janeiro de 2026, são tributados em 10% quando o valor recebido de uma mesma empresa ultrapassar R$ 50 mil no mês. Abaixo desse limite, permanecem isentos de Imposto de Renda.
A mudança na tributação ocorreu com a Lei 15.270/2025 e vale para dividendos referentes a lucros gerados a partir de 2026. Distribuições aprovadas até dezembro de 2025 ainda seguem o regime anterior de isenção total, mesmo que o pagamento ocorra posteriormente.
Como montar uma carteira para receber dividendos
Construir uma carteira focada em dividendos exige estratégia e paciência. O objetivo não é buscar apenas o maior pagamento do momento, mas sim a consistência e a saúde da empresa pagadora. Companhias de setores mais estáveis, como elétrico, financeiro e de saneamento, costumam se destacar nesse quesito.
Uma tática comum é o reinvestimento dos próprios proventos recebidos. Ao usar o valor para comprar mais ações, o investidor potencializa seus ganhos futuros, criando um efeito conhecido como "bola de neve", em que a renda passiva cresce de forma acelerada com o tempo. Essa estratégia continua eficaz mesmo com a nova tributação, especialmente para quem ainda não atinge o teto de isenção.
Para escolher boas ações pagadoras de dividendos, considere os seguintes pontos:
Histórico: procure empresas com um longo e consistente histórico de pagamentos, mesmo em cenários de crise.
Setor: dê preferência a setores perenes, cujos serviços são essenciais e menos sensíveis a variações econômicas.
Saúde financeira: analise se a companhia tem baixo endividamento, boa margem de lucro e geração de caixa robusta.
Previsibilidade: empresas com receitas previsíveis e contratos de longo prazo geralmente oferecem maior segurança nos pagamentos.
Planejamento tributário: considere o limite de R$ 50 mil mensais por empresa para otimizar o recebimento de dividendos e minimizar a carga tributária.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
