A novela "Terra Nostra", um sucesso da teledramaturgia, voltou a despertar a curiosidade do público sobre a saga real que inspirou sua trama. O enredo, que acompanha o romance entre os imigrantes Giuliana e Matteo, é um retrato da massiva imigração italiana para o Brasil, ocorrida principalmente entre 1870 e 1920.

Naquela época, a Itália passava por uma grave crise econômica e social após seu processo de unificação. A pobreza e a falta de oportunidades no campo levaram milhões de pessoas a buscar uma nova vida em outros países — dos cerca de 7 milhões que deixaram a Itália, aproximadamente 1,5 milhão vieram para o Brasil, que surgia como uma promessa de prosperidade.

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Do outro lado do Atlântico, o Brasil vivia um momento de grande transformação. Com a abolição da escravatura em 1888, os grandes cafeicultores de São Paulo precisavam urgentemente de mão de obra para suas lavouras. O governo brasileiro passou a incentivar e até a subsidiar as passagens de navio para atrair esses trabalhadores europeus.

A viagem, no entanto, estava longe de ser fácil. As famílias viajavam por um período que variava entre 14 e 30 dias em navios a vapor superlotados, em condições precárias de higiene e com alimentação escassa. Muitos, especialmente crianças e idosos, não sobreviviam à travessia por conta de doenças que se espalhavam a bordo.

Ao desembarcarem no porto de Santos, os imigrantes eram encaminhados para a Hospedaria de Imigrantes, localizada no bairro da Mooca, na capital paulista. Ali, ficavam alojados por alguns dias enquanto aguardavam a contratação pelos fazendeiros, que os levavam para o interior do estado para iniciar o trabalho.

A dura realidade nas fazendas de café

A vida nas fazendas rapidamente quebrava o sonho da "terra prometida". O sistema de trabalho, conhecido como colonato, muitas vezes prendia as famílias em um ciclo de dívidas, pois os custos da viagem e da instalação eram descontados de seus salários. A rotina era de trabalho exaustivo, de sol a sol, envolvendo toda a família, inclusive as crianças.

As denúncias sobre as péssimas condições se tornaram tão frequentes que, em 1902, a Itália emitiu o Decreto Prinetti, proibindo a imigração subsidiada para o Brasil. Além da exploração, as condições de moradia eram simples e o choque cultural com os costumes locais era um desafio constante para os recém-chegados, que enfrentavam o isolamento e a saudade de casa.

Apesar das dificuldades, a contribuição dos imigrantes italianos foi fundamental para a formação da sociedade brasileira. Sua influência é visível até hoje na cultura, na culinária, no sotaque, na indústria e na agricultura, especialmente nos estados do Sul e Sudeste.

Com o tempo, muitos conseguiram deixar as fazendas e se estabeleceram nas cidades, onde se tornaram operários, comerciantes e pequenos empresários. Essa migração interna foi essencial para o processo de urbanização e industrialização de metrópoles como São Paulo.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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