Em investigações criminais complexas, um celular danificado pode guardar as peças-chave para solucionar o caso. A perícia digital tornou-se uma ferramenta indispensável para as autoridades, permitindo que a polícia científica recupere dados de aparelhos quebrados, queimados ou submersos. Essas informações, que muitas vezes se pensava estarem perdidas, podem ser cruciais para elucidar crimes, mesmo quando os dispositivos eletrônicos parecem irrecuperáveis.

Quando um celular chega às mãos dos peritos, o estado físico do aparelho é apenas o primeiro desafio. Mesmo que a tela esteja estilhaçada, o aparelho não ligue ou tenha sido danificado pela água, as informações cruciais como mensagens, fotos, vídeos e registros de localização geralmente permanecem intactas no chip de memória. O objetivo dos especialistas, sempre mediante autorização judicial, é acessar esse componente e extrair os dados brutos para análise.

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Como a polícia recupera os dados

O processo de recuperação é meticuloso e utiliza técnicas avançadas que variam conforme o nível do dano. A abordagem mais comum segue alguns passos essenciais:

  • Reparo do hardware: A primeira tentativa é, muitas vezes, consertar o aparelho o suficiente para que ele ligue. Isso pode envolver a troca de uma bateria, a substituição de uma tela ou a limpeza de componentes. Se funcionar, os dados podem ser extraídos com softwares forenses especializados, como o Cellebrite UFED.

  • Técnica Chip-Off: Quando o reparo não é viável, os peritos partem para uma solução mais complexa. Eles removem fisicamente o chip de memória da placa-mãe do celular. É um procedimento delicado, que exige equipamentos específicos para dessoldar o componente sem danificá-lo.

  • Leitura e decodificação: Com o chip de memória em mãos, ele é conectado a um leitor especializado. Um software forense interpreta os dados brutos armazenados e reconstrói as informações em um formato legível, como listas de contatos, conversas de aplicativos e arquivos de mídia.

  • Outros métodos: Em alguns casos, são usadas técnicas como JTAG e ISP, que permitem a comunicação direta com a placa do celular por meio de pontos de teste específicos. Esses métodos podem ser usados para contornar senhas ou extrair dados quando o aparelho não liga, mas o chip não precisa ser removido.

As informações obtidas nesse processo podem refazer os últimos passos de uma vítima, revelar conversas que indicam ameaças, identificar suspeitos e fornecer provas materiais para o sistema de justiça. Cada arquivo recuperado, por menor que seja, pode ser a peça que faltava para solucionar um quebra-cabeça complexo e trazer respostas para a investigação.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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