Enquanto diversas cidades brasileiras enfrentam desafios com enchentes e eventos climáticos extremos, um conceito de urbanismo chinês surge como uma resposta eficaz para o problema. As chamadas cidades-esponja trocam o concreto e os sistemas de drenagem tradicionais por uma infraestrutura que imita a natureza: ela absorve, armazena e purifica a água da chuva diretamente onde ela cai.

A lógica, desenvolvida pelo arquiteto paisagista chinês Kongjian Yu, é o oposto do modelo convencional, que busca escoar a água o mais rápido possível por meio de bueiros e canais. Essa abordagem antiga sobrecarrega rios e córregos, causando transbordamentos. A proposta chinesa, por outro lado, transforma a própria paisagem urbana em uma gigantesca esponja, usando soluções baseadas na natureza para gerenciar a água.

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Como funciona uma cidade-esponha

O projeto integra diversas tecnologias e intervenções na paisagem urbana para reter a água da chuva. Em vez de selar o solo com asfalto, a ideia é criar superfícies que permitam a infiltração da água, reduzindo o escoamento superficial. Na prática, isso acontece por meio de várias estratégias combinadas.

  • Superfícies permeáveis: calçadas, estacionamentos e ciclovias são construídos com materiais porosos que deixam a água passar e ser absorvida pelo solo.

  • Jardins de chuva e parques alagáveis: áreas verdes são projetadas em locais estratégicos para receber o excesso de água, que fica retida temporariamente enquanto infiltra lentamente no subsolo.

  • Telhados verdes: coberturas de edifícios com vegetação ajudam a capturar a água da chuva, que é usada pelas plantas ou evapora, diminuindo a quantidade que chega ao chão.

  • Armazenamento subterrâneo: sistemas de cisternas e reservatórios são instalados sob parques e praças para guardar a água captada, que pode ser reutilizada para irrigação ou limpeza.

O resultado vai além da prevenção de alagamentos. A água que infiltra no solo recarrega os aquíferos, melhorando a segurança hídrica da região. Ao passar pela terra e pelas raízes das plantas, a água também é filtrada, o que reduz a poluição que chegaria aos rios. Além disso, o aumento de áreas verdes ajuda a diminuir a temperatura local, combatendo o efeito de ilha de calor.

Com aproximadamente 90 projetos já realizados em metrópoles como Xangai e Wuhan, o governo chinês tem uma meta ambiciosa: até 2030, 80% das áreas urbanas do país deverão ser capazes de absorver e reutilizar a maior parte da água da chuva. Para as cidades brasileiras que enfrentam eventos climáticos cada vez mais extremos, o modelo chinês se apresenta como uma inspiração para criar ambientes urbanos mais seguros e resilientes.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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