O acidente que mudou a vida da ex-ginasta Laís Souza em 2014 colocou em evidência a realidade da lesão medular no Brasil. Hoje, mais de uma década depois, sua história de superação continua a inspirar, enquanto a ciência avança em busca de tratamentos que antes pareciam ficção. As pesquisas se concentram em duas frentes principais: a regeneração nervosa e a tecnologia que busca contornar os danos.
Esses novos caminhos oferecem esperança para milhares de pessoas ao redor do mundo. A busca não é apenas por uma cura, mas por melhorias significativas na qualidade de vida e na recuperação de funções motoras e sensoriais perdidas. O progresso, embora gradual, é constante e promissor.
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Células-tronco: a promessa da regeneração
As células-tronco são vistas como uma das maiores promessas para o tratamento de lesões medulares. Por sua capacidade de se transformar em diferentes tipos de células do corpo, elas têm o potencial de reparar os tecidos nervosos danificados na medula espinhal.
O objetivo é que essas células, ao serem transplantadas na área da lesão, possam criar uma "ponte" de neurônios que reconecte os circuitos nervosos interrompidos. Testes clínicos em fase inicial ao redor do mundo já investigam a segurança e a eficácia dessa abordagem, com alguns participantes relatando recuperação parcial de movimentos ou sensações.
Contudo, a terapia ainda é considerada experimental e enfrenta desafios, como garantir que as células se desenvolvam corretamente e se integrem ao sistema nervoso sem causar efeitos adversos. A pesquisa avança para refinar as técnicas e tornar o tratamento mais previsível e seguro.
Tecnologia que reconecta o corpo
Paralelamente à busca pela regeneração, a tecnologia assistiva já oferece resultados concretos para melhorar a autonomia dos pacientes. Dispositivos e interfaces inovadoras permitem que o corpo execute funções que foram comprometidas pela lesão.
Exoesqueletos: estruturas robóticas vestíveis que ajudam pacientes a ficarem de pé e a caminharem com auxílio. Elas funcionam por meio de motores que movimentam as articulações, controlados pelo próprio usuário.
Interfaces cérebro-computador: sistemas que leem a atividade cerebral e a traduzem em comandos para controlar computadores, braços robóticos ou até mesmo os próprios músculos, por meio de estimulação elétrica.
Estimulação epidural: um pequeno dispositivo é implantado sobre a medula espinhal, abaixo do nível da lesão. Ele emite pulsos elétricos contínuos que ajudam a "acordar" os circuitos nervosos adormecidos, permitindo que alguns pacientes voltem a mover voluntariamente as pernas.
É importante ressaltar que nenhuma dessas abordagens, isoladamente, representa a cura definitiva e muitas ainda estão em fase experimental. A tendência aponta para uma combinação de terapias, unindo os avanços da biologia celular com a inovação tecnológica para criar tratamentos personalizados. Embora o acesso a essas tecnologias ainda seja um desafio, especialmente no Brasil, o objetivo é transformar lesões antes consideradas permanentes em condições tratáveis, devolvendo autonomia e esperança aos pacientes.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
