O assassinato de uma jovem em Juatuba, Minas Gerais, neste mês, por um suspeito com três condenações por estupro, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, acende um alerta urgente. Tragédias como essa são, muitas vezes, o desfecho de um ciclo de violência que começa com sinais sutis. Identificar esses comportamentos na fase inicial é fundamental para romper com o relacionamento abusivo antes que ele escale para agressões físicas ou feminicídio.

Um relacionamento abusivo raramente começa com violência explícita. Ele se constrói aos poucos, minando a autoestima e a independência da vítima. O controle é disfarçado de cuidado e a possessividade, de amor. Por isso, é essencial estar atento a atitudes que ultrapassam os limites de uma relação saudável e que indicam um padrão de dominação.

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Principais sinais de alerta

Especialistas em violência doméstica apontam que comportamentos controladores e abusivos geralmente seguem um padrão que pode ser identificado. Ficar atenta a essas atitudes é o primeiro passo para se proteger:

  • Isolamento progressivo: o parceiro começa a criticar amigos e familiares, criando desculpas e conflitos para afastar a vítima de sua rede de apoio. O objetivo é criar uma dependência emocional e dificultar pedidos de ajuda.

  • Controle excessivo: o agressor monitora redes sociais, mensagens de celular e ligações. Ele pode controlar as roupas que a vítima veste, os lugares que frequenta e com quem fala. Esse controle pode se estender à vida financeira, limitando o acesso da pessoa ao próprio dinheiro.

  • Ciúme desproporcional: crises de ciúme por motivos banais são comuns. O parceiro demonstra possessividade e acusa a vítima de traição constantemente, usando isso como justificativa para impor mais restrições e vigilância.

  • Críticas e humilhações: o abusador desvaloriza as opiniões, os sonhos e as conquistas da vítima, seja em particular ou em público. Comentários que diminuem a inteligência, a aparência ou a capacidade da pessoa se tornam frequentes, destruindo sua autoconfiança.

  • Mudanças bruscas de humor: a relação vive em uma montanha-russa emocional. Momentos de carinho e declarações de amor, conhecidos como "love bombing", são seguidos por explosões de raiva, silêncio punitivo ou ameaças.

  • Inversão de culpa: o agressor nunca assume a responsabilidade por seus atos. Ele distorce os fatos e manipula a situação para que a vítima se sinta culpada pelas brigas e até mesmo pelo comportamento abusivo dele.

O que fazer ao identificar os sinais

Ao reconhecer um ou mais desses comportamentos, é crucial buscar ajuda. Converse com pessoas de confiança, como amigos e familiares, que possam oferecer suporte e uma perspectiva externa. Se sentir segura, comece a documentar as situações de abuso, com datas, horários e detalhes do que aconteceu. Procure também uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) para receber orientação jurídica e solicitar medidas protetivas.

A vítima nunca é culpada pela violência que sofre. Relacionamentos devem ser baseados em respeito, confiança e segurança. A Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, oferece escuta e orientação qualificadas 24 horas por dia, e a ligação é gratuita. Em casos de emergência imediata, ligue para a Polícia Militar (190).

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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