O pão de queijo é muito mais que um simples quitute em Minas Gerais; é um verdadeiro símbolo de identidade cultural. Sua história começa no século XVIII, nas fazendas do estado, durante o Ciclo do Ouro. Naquela época, a farinha de trigo era um item raro e caro, importado de Portugal, e não chegava com boa qualidade ao interior mineiro.

A solução encontrada pelas cozinheiras foi adaptar receitas europeias usando ingredientes locais. No lugar do trigo, entrou o polvilho, derivado da mandioca, um alimento farto na região. A essa base foram adicionados ovos, gordura (banha de porco ou manteiga), sal e, claro, o queijo que viria a dar nome e alma à receita.

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O queijo utilizado eram as sobras da produção diária, geralmente pedaços já curados e endurecidos, o que conferia um sabor mais intenso e característico. Cada fazenda tinha sua própria versão da receita, passada de geração em geração. Por isso, a textura e o sabor do pão de queijo podiam variar bastante de uma família para outra.

De receita de fazenda a ícone nacional

Durante séculos, o pão de queijo permaneceu como um segredo bem guardado das cozinhas rurais de Minas. Sua popularização começou a partir da década de 1950 nos centros urbanos, ganhando espaço em padarias e lanchonetes de Belo Horizonte e outras cidades mineiras.

O grande salto para a fama nacional, porém, ocorreu a partir da década de 1960 com a industrialização da receita e o desenvolvimento de produtos congelados. A possibilidade de vender a massa pronta para assar em casa permitiu que o pão de queijo cruzasse as fronteiras de Minas e conquistasse o paladar dos brasileiros de norte a sul do país.

Hoje, ele é um item indispensável no café da manhã de muitas famílias e um dos salgados mais pedidos em padarias e cafeterias. A popularidade foi tão grande que o quitute também ganhou o mundo. É possível encontrar versões congeladas em supermercados de diversos países, levando um pouco do sabor de Minas Gerais para a Europa, América do Norte e Ásia.

Assim, o que nasceu como uma solução criativa para a falta de um ingrediente se transformou em um patrimônio gastronômico, um status consolidado a partir da década de 1970 com um movimento de valorização da cozinha mineira. Ele se tornou um embaixador da culinária brasileira, representando a simplicidade e o sabor marcante de sua terra natal para o mundo.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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