A sequência de tremores de terra que assustou moradores de cidades em Minas Gerais, como Sete Lagoas, Frutal e Felixlândia, recentemente, acende um alerta: o Brasil, apesar de sua fama de estabilidade geológica, não está livre de abalos sísmicos. O país fica no centro da Placa Sul-Americana, longe das bordas onde ocorrem os grandes terremotos. No entanto, pressões internas dessa placa gigantesca reativam falhas geológicas antigas, causando os tremores que sentimos na superfície.

Esses eventos não são exclusividade mineira. Na verdade, a atividade sísmica no Brasil se concentra em áreas bem definidas, monitoradas constantemente por centros de pesquisa, como o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). A maioria dos abalos é de baixa magnitude e imperceptível, mas o histórico mostra que alguns eventos podem ser fortes o suficiente para causar danos.

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Onde a terra mais treme no Brasil

A região Nordeste é uma das mais ativas sismicamente no país. O estado do Rio Grande do Norte, especialmente na área de João Câmara, viveu uma intensa sequência de tremores entre 1986 e 1990, que ficou conhecida como o "sismo de João Câmara". O Ceará também registra atividade constante, com pequenos abalos que mantêm os geólogos em alerta.

Outro ponto de grande atividade é o estado do Acre. Por sua proximidade com a Cordilheira dos Andes, a região sente os reflexos do choque entre as placas de Nazca e Sul-Americana. Os terremotos ali costumam ser mais profundos e, por isso, menos sentidos na superfície, mas já foram registrados abalos de alta magnitude na região.

O Centro-Oeste e o Sudeste, incluindo Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, também possuem um histórico relevante. Muitas vezes, a atividade sísmica nessas áreas está associada não apenas a falhas naturais, mas também ao peso da água em grandes reservatórios de hidrelétricas, que pode induzir pequenos tremores.

Os maiores tremores já registrados

O maior tremor já registrado em território nacional ocorreu em 1955, em Porto dos Gaúchos, no Mato Grosso, com magnitude de 6,2 na escala Richter. Por ter acontecido em uma área pouco povoada, seus efeitos foram limitados. Mais recentemente, em 2007, um tremor de 5,2 atingiu o município de Itacarambi, em Minas Gerais, e causou a morte de uma criança, sendo o primeiro registro de vítima fatal por terremoto no Brasil.

No Acre, um evento de 6,7 de magnitude foi registrado em 2015, mas a mais de 600 quilômetros de profundidade, o que dissipou sua energia antes de chegar à superfície. Esses dados, coletados pela Rede Sismográfica Brasileira, mostram que, embora o risco de um grande terremoto devastador seja baixo, o Brasil não é imune a abalos que podem gerar prejuízos e assustar a população.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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