Encontrar um novo planeta a anos-luz de distância parece ficção científica, mas é uma realidade para a astronomia moderna. Cientistas usam principalmente duas técnicas sofisticadas para detectar esses mundos distantes, observando estrelas que estão a trilhões de quilômetros da Terra e procurando por sinais quase imperceptíveis que denunciam a presença de um corpo celeste em sua órbita.
Achar um exoplaneta — como são chamados os planetas fora do nosso Sistema Solar — exige paciência e tecnologia de ponta. Até hoje, mais de 5.700 desses mundos já foram confirmados, e a maioria foi detectada sem ser vista diretamente. Como eles são pequenos e não emitem luz própria, ficam ofuscados pelo brilho intenso de suas estrelas.
Leia Mais
Vida alienígena? Veja o que já se sabe sobre o planeta K2-18 b
3I/ATLAS: 5 outros mistérios do espaço que intrigam os cientistas
Como os planetas são encontrados?
O método mais comum é o de trânsito, responsável pela descoberta de mais de 70% dos exoplanetas conhecidos. A ideia é simples: quando um planeta passa na frente de sua estrela, do nosso ponto de vista, ele bloqueia uma pequena parte da luz, causando uma queda mínima no brilho. Essa variação é minúscula, mas telescópios espaciais como o TESS, da Nasa — que já identificou milhares de candidatos a planeta —, são projetados para detectá-la.
Imagine um pequeno inseto cruzando a lente de um farol muito distante. Para nós, o brilho do farol diminui por um instante. Os cientistas monitoram milhares de estrelas ao mesmo tempo, buscando essas quedas de brilho que se repetem em intervalos regulares, o que indica a órbita de um planeta.
Outra técnica fundamental é a da velocidade radial. Ela não observa o planeta, mas o efeito que sua gravidade causa na estrela. Um planeta em órbita faz sua estrela "balançar" levemente no espaço. Esse movimento sutil altera a cor da luz da estrela que chega até nós, em um fenômeno conhecido como Efeito Doppler.
Os olhos gigantes no céu
Para aplicar esses métodos, são necessários instrumentos extremamente potentes. Telescópios espaciais como o James Webb e o Hubble são essenciais porque, ao estarem fora da atmosfera terrestre, conseguem captar dados com uma clareza incomparável, livres de distorções.
Em solo, observatórios como o Very Large Telescope (VLT), localizado no Deserto do Atacama, no Chile, usam espelhos gigantes e tecnologia avançada para compensar as interferências da atmosfera. Eles são cruciais para confirmar as descobertas feitas no espaço e analisar a composição de possíveis atmosferas planetárias.
Um sinal detectado não significa uma descoberta imediata. Cada candidato a planeta passa por um rigoroso processo de verificação. Outros observatórios precisam confirmar a observação para descartar outras possibilidades, como manchas estelares ou a interferência de outra estrela. Só após essa checagem o novo mundo é oficialmente catalogado.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
