A Receita Federal não fiscaliza cada Pix que você envia ou recebe individualmente, mas tem acesso ao volume total das suas movimentações financeiras. O acompanhamento é feito de forma automatizada, cruzando dados que os próprios bancos são obrigados a fornecer com as informações da sua declaração do Imposto de Renda.

Essa troca de informações ocorre por meio da e-Financeira, uma obrigação acessória que exige que as instituições financeiras informem ao Fisco todas as operações de seus clientes. O alerta é acionado quando a movimentação mensal ultrapassa determinados limites, mesmo que as transações sejam feitas por Pix.

Leia Mais

Para pessoas físicas, os bancos devem reportar qualquer movimentação mensal superior a R$ 5 mil. Já para pessoas jurídicas, o limite é de R$ 15 mil mensais. Esses valores foram atualizados em 2025 pela Instrução Normativa RFB nº 2.278/2025 e representam um aumento em relação aos limites anteriores (R$ 2 mil e R$ 6 mil, respectivamente). É a soma de todas as operações, incluindo depósitos, saques e transferências, que determina se o seu perfil será comunicado à Receita Federal.

O Fisco utiliza esses dados para identificar inconsistências. Se um contribuinte movimenta valores muito superiores aos rendimentos que declarou, o sistema pode automaticamente selecioná-lo para a malha fina para uma verificação mais detalhada sobre a origem do dinheiro.

Quais operações com Pix chamam a atenção?

Embora o Pix seja prático, algumas operações podem levantar suspeitas se não forem devidamente justificadas na declaração anual de Imposto de Renda. Fique atento a situações como:

  • Rendimentos incompatíveis: receber valores constantes via Pix que não condizem com a sua renda declarada, como salários ou pró-labore. Isso pode ser interpretado como sonegação fiscal.

  • Vendas sem nota fiscal: autônomos e comerciantes que recebem pagamentos por produtos ou serviços via Pix sem emitir a nota fiscal correspondente correm grande risco de serem notificados.

  • Grandes transferências sem justificativa: receber um Pix de valor elevado, como a venda de um carro ou imóvel, e não declarar essa operação na seção de ganhos de capital pode gerar problemas.

  • Empréstimos e doações: transferências que se referem a empréstimos entre pessoas físicas ou doações também precisam ser informadas corretamente, pois possuem campos específicos na declaração.

Como evitar problemas com a Receita Federal

A principal recomendação é manter a transparência e a organização. Para não cair na malha fina por causa de transações via Pix, adote algumas práticas simples durante o ano de 2026.

  • Declare todos os rendimentos: certifique-se de que todos os valores recebidos como pagamento por trabalho, aluguel ou vendas estejam na sua declaração.

  • Separe contas pessoais e profissionais: se você é autônomo ou tem uma empresa (MEI, por exemplo), use uma conta bancária de pessoa jurídica (PJ) para as movimentações do negócio.

  • Guarde comprovantes: mantenha um registro de operações maiores que possam precisar de justificativa, como a venda de um bem ou o recebimento de uma herança.

  • Informe empréstimos e doações: se você emprestou ou recebeu dinheiro de alguém, utilize as fichas corretas na declaração, como "Dívidas e Ônus Reais" ou "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis".

    Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

compartilhe