Uma nova e sofisticada ameaça digital está se tornando mais comum no Brasil: a clonagem de voz por inteligência artificial. Criminosos estão usando essa tecnologia para se passar por familiares e amigos em chamadas telefônicas, criando situações de emergência falsas para convencer as vítimas a transferir dinheiro rapidamente. O golpe, que já fez vítimas em diversas cidades, explora a confiança e o vínculo emocional para enganar.

A técnica, que parece saída de um filme de ficção científica, é mais acessível do que se imagina. Para criar um clone de voz convincente, os golpistas precisam de poucos segundos de um áudio real da pessoa — às vezes, de 3 a 10 segundos são suficientes. Esse material pode ser obtido de vídeos publicados em redes sociais, mensagens de áudio vazadas ou até mesmo de outras ligações gravadas.

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Com a amostra em mãos, os fraudadores utilizam softwares de IA para sintetizar a voz, permitindo que eles digitem qualquer texto e o programa o reproduza com o timbre e o sotaque da vítima. A tecnologia evoluiu a ponto de replicar nuances e entonações, tornando a farsa extremamente difícil de ser percebida, principalmente em momentos de pânico.

O roteiro do golpe geralmente envolve um pedido de ajuda urgente. O falso familiar alega ter sofrido um acidente, ter sido sequestrado ou estar com o carro quebrado, sempre com uma desculpa para não poder usar a própria conta bancária. A pressão psicológica e a familiaridade da voz levam muitas pessoas a agir por impulso, sem checar a veracidade da história.

Como se proteger do golpe da voz clonada

Embora a tecnologia seja avançada, alguns sinais podem ajudar a identificar uma chamada fraudulenta. Prestar atenção a detalhes e manter a calma são as melhores ferramentas de defesa. Veja o que fazer:

  • Desconfie da urgência: pedidos desesperados de dinheiro, com forte apelo emocional e pressão para uma ação imediata, são o principal indicativo de um golpe.

  • Analise a qualidade do áudio: a voz clonada pode soar um pouco metalizada, apresentar pausas estranhas ou ter uma cadência incomum. A falta de ruído de fundo ou a ausência de emoção genuína também são pistas.

  • Faça perguntas pessoais: interrompa a conversa e faça uma pergunta que apenas o verdadeiro familiar saberia responder. Pode ser o nome de um animal de estimação da infância ou um detalhe sobre uma viagem que fizeram juntos.

  • Crie uma palavra de segurança: combine previamente uma palavra-chave com seus familiares mais próximos. Caso receba uma ligação de emergência, peça à pessoa para dizer a palavra combinada.

  • Desligue e confirme: a atitude mais segura é sempre desligar a chamada suspeita. Em seguida, ligue diretamente para o número que você tem salvo na sua agenda de contatos para confirmar a história.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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